Inflação dispara e passa de 10% no ano
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sábado, 07 de dezembro de 2002
Agência Estado 
Rio - A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) disparou em novembro para 3,02%, taxa recorde do Plano Real e superior às estimativas mais pessimistas do mercado, que apontavam uma variação máxima de 2,9%. A alta, mais do que o dobro da registrada em outubro (1,31%), foi provocada pela forte pressão do dólar sobre os alimentos e pelos reajustes dos combustíveis. A divulgação do índice pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) elevou as apostas de novo aumento na taxa básica de juros.
O IPCA, meta oficial de inflação do governo, já superou os dois dígitos no acumulado no ano de janeiro a novembro (10,22%). O Brasil não registrava uma inflação anual acima de 10% desde 1995, quando a variação foi de 22,41%. A gerente do Departamento de Índice de Preços do IBGE, Eulina Nunes dos Santos, disse que a elevação da taxa em novembro foi provocada pelos repasses dos aumentos de custos das empresas em consequência da desvalorização do real e não por um aquecimento da demanda de consumo.
Ela explicou que considera a inflação de novembro a maior do Real, apesar da taxa de 6,84% registrada em julho de 1994. ''Na nossa opinião, essa taxa de julho deve ser desconsiderada como a mais alta porque foi registrada no início do plano e, por isso, trazia resquícios de inflação passada'' disse.
A pressão do dólar sobre os alimentos cresceu no mês e elevou os preços do grupo em 5,85%, o dobro da variação registrada em outubro (2,79%). Os produtos desse grupo contribuíram, sozinhos, com 1,33 ponto porcentual, ou quase a metade da inflação registrada em novembro.
Os maiores pesos foram dados exatamente por produtos vinculados à moeda norte-americana, como açúcar refinado (49,6%) e açúcar cristal (33,55%), farinha de trigo (15,17%) e macarrão (9,90%). No entanto, como sublinhou Eulina, os custos da produção agrícola sofrem forte impacto do dólar, por causa dos insumos utilizados, e portanto o câmbio pode ser considerado responsável pela totalidade dos reajustes dos produtos alimentícios.
Os combustíveis também deram forte contribuição para a elevação da taxa, representando 0,88 ponto porcentual, ou quase um terço da inflação do mês. A maior contribuição individual para o IPCA foi dada pela gasolina que, em consequência do aumento de 10,53% nas bombas, teve impacto de 0,43 ponto porcentual na taxa. Outros combustíveis com aumentos significativos foram álcool combustível (26,35%), gás de cozinha (12,43%) e óleo diesel (14,63%).
Os dados divulgados ontem revelaram também que a população de menor renda foi a mais prejudicada pelos reajustes generalizados de preços ocorridos em novembro. Os dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), referentes à população de rendimento entre um e oito salários mínimos, registraram inflação de 3,39%, superior portanto ao IPCA do mês. Eulina disse que ''a inflação está prejudicando mais quem ganha menos porque as pessoas de menor renda gastam uma parcela maior do salário com os alimentos''.


