São Pau­lo – A in­fla­ção de­ve su­pe­rar a mar­ca aci­ma de 0,50% nes­te mês, com uma al­ta pre­vis­ta de 0,46%. Eco­no­mis­tas apon­tam que a bai­xa pro­ba­bi­li­da­de do go­ver­no re­du­zir o pre­ço da ga­so­li­na na bom­ba dos pos­tos – a que­da era es­ti­ma­da em 5% – de­ve ele­var a pro­je­ção do Ín­di­ce de Pre­ços ao Con­su­mi­dor Am­plo (IP­CA) em fe­ve­rei­ro. Em ja­nei­ro o in­di­ca­dor che­gou a 0,48%, uma al­ta de 0,28% so­bre o ín­di­ce re­gis­tra­do em de­zem­bro. O por­cen­tual su­pe­rou as ex­pec­ta­ti­vas dos ana­lis­tas en­tre­vis­ta­dos pe­la re­por­ta­gem, que es­pe­ra­vam uma ace­le­ra­ção dos pre­ços de até 0,47%.
  Se­gun­do o eco­no­mis­ta da LCA Con­sul­to­res Fá­bio Ro­mão, há ­duas hi­pó­te­ses que po­dem ex­pli­car por­que ocor­reu a ele­va­ção ines­pe­ra­da do gru­po ar­ti­gos de re­si­dên­cia do IP­CA em ja­nei­ro. O ín­di­ce ofi­cial su­biu 0,48% no mês pas­sa­do. Um de­les po­de ser a des­va­lo­ri­za­ção do câm­bio, que de al­gu­ma for­ma te­ria si­do re­pas­sa­da pe­los fa­bri­can­tes de ele­tro­do­més­ti­cos e apa­re­lhos de TV e som aos pre­ços. Ou­tro ele­men­to im­por­tan­te é que po­de ter ocor­ri­do um au­men­to da de­man­da des­tes pro­du­tos pe­los con­su­mi­do­res no co­me­ço do ano, de­vi­do às li­qui­da­ções das gran­des lo­jas.
  Se­gun­do os da­dos di­vul­ga­dos pe­lo IB­GE, os ele­tro­do­més­ti­cos su­bi­ram 0,01% em de­zem­bro pa­ra 0,77% no mês pas­sa­do, en­quan­to te­le­vi­so­res e apa­re­lhos de som va­ria­ram no pe­río­do de uma que­da de 1,07% pa­ra uma ele­va­ção de 0,48%. ‘‘Ain­da é mui­to ce­do pa­ra di­zer que o con­su­mo das fa­mí­lias me­lho­rou. Mas po­de ser que a re­du­ção brus­ca da de­man­da no fi­nal do ano foi mui­to ­mais mo­ti­va­da por um cho­que ne­ga­ti­vo nas ex­pec­ta­ti­vas das em­pre­sas e pes­soas fí­si­cas em fun­ção da cri­se ­mundial’’, co­men­tou Ro­mão.
  Se­gun­do ele, há ele­men­tos que co­me­çam a in­di­car que o cre­dit ­crunch te­ria pro­vo­ca­do os efei­tos ­mais drás­ti­cos no ­País no en­cer­ra­men­to de 2008. Um de­les é o vo­lu­me de ven­das de veí­cu­los re­gis­tra­da pe­la Fe­na­bra­ve em ja­nei­ro, que au­men­tou 6% an­te de­zem­bro, com ajus­te sa­zo­nal rea­li­za­do pe­la LCA.
  Ro­mão des­ta­cou que a mé­dia dos nú­cleos do IP­CA su­biu de 0,33% em de­zem­bro pa­ra 0,38% no mês pas­sa­do. Em ter­mos anua­li­za­dos, is­so re­pre­sen­ta uma ele­va­ção do in­di­ca­dor de 4,0% pa­ra 4,60%, pou­co aci­ma da me­ta de­ter­mi­na­da pe­lo Con­se­lho Mo­ne­tá­rio Na­cio­nal. ‘‘is­so não é preo­cu­pan­te, ­pois tra­ta-se de uma al­ta ­pontual’’, afir­mou, res­sal­tan­do que tal fa­to não vai al­te­rar sua pro­je­ção de au­men­to do ín­di­ce ofi­cial, que é de 4,8% pa­ra es­te ano.
  ­Além da me­lho­ra in­ci­pien­te nas ven­das de au­to­mó­veis, ele des­ta­ca que o mer­ca­do de tra­ba­lho ain­da não re­gis­trou uma pio­ra ex­pres­si­va de­vi­do à cri­se, em­bo­ra é es­pe­ra­da um au­men­to do de­sem­pre­go. A ta­xa me­di­da pe­la Pes­qui­sa Men­sal de Em­pre­go atin­giu 6,8% em de­zem­bro, mas se­gun­do ele de­ve su­bir pa­ra uma mar­ca ao re­dor de 8,5% en­tre fe­ve­rei­ro e ­abril. ‘‘É bom lem­brar que o ní­vel de de­so­cu­pa­ção apu­ra­do no úl­ti­mo mês de 2008 é bem bai­xo em ter­mos his­tó­ri­cos. E mes­mo com a ele­va­ção pre­vis­ta nes­te ano, não se tra­ta de um in­di­ca­dor de ­dois ­dígitos’’, des­ta­cou. Ele apon­tou que a mé­dia do de­sem­pre­go fi­cou em 7,9% no ano pas­sa­do e de­ve fi­car per­to de 8,5% em 2009.
  O eco­no­mis­ta res­sal­tou que a re­du­ção do IP­CA de 5,9% em 2008 pa­ra 4,8% nes­te ano, com de­sa­ce­le­ra­ção dos pre­ços dos ali­men­tos den­tro do in­di­ca­dor de 11% pa­ra 6% no pe­río­do vai co­la­bo­rar pa­ra que o po­der de com­pra da po­pu­la­ção não re­gis­tre que­da mui­to for­te nes­te ano. Ele tam­bém afir­mou que o au­men­to do sa­lá­rio mí­ni­mo, que pas­sa­rá pa­ra R$ 465,00 nes­te mês, de­ve aju­dar pa­ra me­lho­rar a de­man­da agre­ga­da, es­pe­cial­men­te no se­gun­do se­mes­tre. A LCA es­ti­ma que o sa­lá­rio mí­ni­mo de­ve exi­bir uma al­ta mé­dia ­real de 6,6% nes­te ano, aci­ma dos 3,3% re­gis­tra­dos em 2008.

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