Inflação deverá subir em fevereiro
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sábado, 07 de fevereiro de 2009
Ricardo Leopoldo<br> Agência Estado 
São Paulo A inflação deve superar a marca acima de 0,50% neste mês, com uma alta prevista de 0,46%. Economistas apontam que a baixa probabilidade do governo reduzir o preço da gasolina na bomba dos postos a queda era estimada em 5% deve elevar a projeção do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em fevereiro. Em janeiro o indicador chegou a 0,48%, uma alta de 0,28% sobre o índice registrado em dezembro. O porcentual superou as expectativas dos analistas entrevistados pela reportagem, que esperavam uma aceleração dos preços de até 0,47%.
Segundo o economista da LCA Consultores Fábio Romão, há duas hipóteses que podem explicar porque ocorreu a elevação inesperada do grupo artigos de residência do IPCA em janeiro. O índice oficial subiu 0,48% no mês passado. Um deles pode ser a desvalorização do câmbio, que de alguma forma teria sido repassada pelos fabricantes de eletrodomésticos e aparelhos de TV e som aos preços. Outro elemento importante é que pode ter ocorrido um aumento da demanda destes produtos pelos consumidores no começo do ano, devido às liquidações das grandes lojas.
Segundo os dados divulgados pelo IBGE, os eletrodomésticos subiram 0,01% em dezembro para 0,77% no mês passado, enquanto televisores e aparelhos de som variaram no período de uma queda de 1,07% para uma elevação de 0,48%. Ainda é muito cedo para dizer que o consumo das famílias melhorou. Mas pode ser que a redução brusca da demanda no final do ano foi muito mais motivada por um choque negativo nas expectativas das empresas e pessoas físicas em função da crise mundial, comentou Romão.
Segundo ele, há elementos que começam a indicar que o credit crunch teria provocado os efeitos mais drásticos no País no encerramento de 2008. Um deles é o volume de vendas de veículos registrada pela Fenabrave em janeiro, que aumentou 6% ante dezembro, com ajuste sazonal realizado pela LCA.
Romão destacou que a média dos núcleos do IPCA subiu de 0,33% em dezembro para 0,38% no mês passado. Em termos anualizados, isso representa uma elevação do indicador de 4,0% para 4,60%, pouco acima da meta determinada pelo Conselho Monetário Nacional. isso não é preocupante, pois trata-se de uma alta pontual, afirmou, ressaltando que tal fato não vai alterar sua projeção de aumento do índice oficial, que é de 4,8% para este ano.
Além da melhora incipiente nas vendas de automóveis, ele destaca que o mercado de trabalho ainda não registrou uma piora expressiva devido à crise, embora é esperada um aumento do desemprego. A taxa medida pela Pesquisa Mensal de Emprego atingiu 6,8% em dezembro, mas segundo ele deve subir para uma marca ao redor de 8,5% entre fevereiro e abril. É bom lembrar que o nível de desocupação apurado no último mês de 2008 é bem baixo em termos históricos. E mesmo com a elevação prevista neste ano, não se trata de um indicador de dois dígitos, destacou. Ele apontou que a média do desemprego ficou em 7,9% no ano passado e deve ficar perto de 8,5% em 2009.
O economista ressaltou que a redução do IPCA de 5,9% em 2008 para 4,8% neste ano, com desaceleração dos preços dos alimentos dentro do indicador de 11% para 6% no período vai colaborar para que o poder de compra da população não registre queda muito forte neste ano. Ele também afirmou que o aumento do salário mínimo, que passará para R$ 465,00 neste mês, deve ajudar para melhorar a demanda agregada, especialmente no segundo semestre. A LCA estima que o salário mínimo deve exibir uma alta média real de 6,6% neste ano, acima dos 3,3% registrados em 2008.


