Curitiba - O ano de 2008 está perdido em termos de controle da inflação e a previsão é que o País estoure o teto da meta fixado em 6,5%. A afirmação é do coordenador do curso de Ciências Econômicas da Centro Universitário Franciscano do Paraná (Unifae), Gilmar Mendes Lourenço. ''Essa tentativa do governo de dizer que está trabalhando com o teto da meta é uma coisa cosmética para tentar acalmar os mercados'', disse. Segundo ele, os fatores que estão determinando a aceleração da inflação devem persistir no segundo semestre do ano. Lourenço explicou que o País sofre com inflação de custos e de demanda.
A inflação de custos é puxada pelos preços das commodities internacinais que repercutem no Brasil. De acordo com o economista, o carro-chefe é o petróleo seguido de metais (aço e minério de ferro) e dos alimentos. Isso tudo está associado ao crescimento da economia internacional e ao embate entre oferta e demanda destes três setores.
Ele destacou que, em petróleo, não ocorreram investimentos significativos para aumentar a produção mundial, o que deve acontecer só daqui cinco anos. Lourenço aposta na continuidade da aceleração de preços dos alimentos, do petróleo e dos metais.
O economista explica ainda que a inflação de demanda não está sendo provocada por excesso de consumo e de crédito, mas por gastos demasiados do governo nas esferas federal, estadual e municipal. Isso tudo com o objetivo de pagar os juros da dívida interna e investir em campanhas eleitorais.
Ele acredita que o aumento das taxas de juros deve trazer desaceleração do consumo e do investimento neste segundo semestre. Apesar das projeções, Lourenço acredita que o País não vai viver um ''cenário de caos da inflação''.
''A maior preocupação é a queda do poder aquisitivo'', disse. Ele prevê que a maior parte das categorias de trabalhadores não deve conseguir reajustes de salários que reponham a inflação. Com isso, as pessoas vão ter que ser mais criteriosas ao tomar a decisão de compra, pesquisar preços e ter prudência ao realizar compras a prazo, devido ao aumento dos juros.
''Não corremos o risco de repetir a hiperinflação dos anos 80'', destacou. As dicas para o consumidor são cortar gastos supérfluos e escapar das compras a prazo.
O economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Sandro Silva, disse que o mercado estima que a inflação vai continuar até julho mas depois deve ter uma leve desaceleração. Ele acredita que a diminuição da pressão da alimentação é que vai fazer cair a taxa inflacionária do País.
Segundo ele, o que influencia a alta dos alimentos é o aumento da cotação nacional e internacional e a demanda maior que a oferta. Outro motivo é o aumento dos fertilizantes que são derivados do petróleo, os problemas climáticos e o movimento especulativo dos mercados interno e externo.
''A inflação está focada nos alimentos. Nos últimos 12 meses, o INPC subiu 16,63% e os alimentos responderam por 70% deste índice'', disse. Caso a alimentação tivesse ficado estável nos últimos 12 meses, a inflação seria inferior a 2%, estima Silva.
Nos últimos 12 meses, o IPCA subiu 5,58%. Entre janeiro e maio, o índice acumula alta de 2,88%. O mercado estima o fechamento do ano do IPCA em 6,30%.

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