Inflação deve perder força em setembro
PUBLICAÇÃO
domingo, 03 de setembro de 2000
Agência Estado De São Paulo 
Depois do repique inflacionário em julho e agosto, os especialistas apostam que os índices de preços vão acomodar-se a partir deste mês. Os indicadores referentes a setembro estarão livres da maior parte do impacto da combinação formada por reajuste de tarifas públicas, aumento dos combustíveis, entressafra e geada, responsável pela recente alta mais forte dos preços. No entanto, mesmo com essa provável desaceleração da inflação, tudo indica que o Comitê de Política Monetária (Copom) será conservador na reunião dos dias 19 e 20, devendo manter a taxa Selic em 16,50% ao ano. A expectativa é que novos cortes dos juros ocorram apenas depois que os indicadores confirmarem que os preços se acomodaram.
O economista-chefe do Chase Manhattan Bank, Luís Fernando Lopes, diz que a alta da inflação em julho e agosto ocorreu por conta de um choque de oferta, que não deve repetir-se em setembro. Ele acredita que, pelo menos por enquanto, a demanda não deve pressionar os preços, ainda que a atividade econômica esteja mais aquecida. Lopes destaca que a alta de tarifas e combustíveis acaba diminuindo a renda disponível, o que freia a expansão do consumo.
E os dissídios de categorias que vão ocorrer este mês, como os dos bancários e os dos petroleiros? Lopes entende que os aumentos dessas categorias não devem causar pressões inflacionárias, porque não tendem a provocar um aumento mais forte do consumo.
O economista-chefe do BankBoston, José Antonio Pena, vê alguns sinais de pressão sobre os preços no atacado, principalmente nos setores químico, petroquímico e de papel e celulose, que estão crescendo com força. Ele entende, porém, que isso não deve atingir o varejo no curto prazo. Pena acredita que alguma pressão mais forte de demanda pode surgir dentro de 6 a 12 meses.


