O presidente da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), da Universidade de São Paulo, Juarez Rizzieri, prevê que a desvalorização do real provocará uma inflação acumulada de 7% durante 1999.
De acordo com ele, o impacto da desvalorização não será maior porque a economia está desaquecida. Caso contrário, a inflação poderia superar 11% no ano. Rizzieri disse que será necessário manter austeridade nas políticas monetária e fiscal, para evitar a disparada dos preços.
Já no final deste mês, segundo Rizzieri, esse impacto aparecerá, ficando mais nítida a partir de fevereiro e março. Na próxima quarta-feira, a Fipe divulgará o resultado da segunda quadrisemana que deverá maior do que o da primeira, quando foi apurada uma elevação de 0,10%. O crescimento, no entanto, virá principalmente em função do aumento das passagens de ônibus. Rizzieri calcula uma inflação de cerca de 0,20% nessa segunda quadrisemana.
De imediato, a Fipe aponta os combustíveis como o setor que contribuirá para o aumento da inflação nos próximos meses. Isso porque a Petrobrás depende de importações. ‘‘É preciso ver como estão as contas da empresa’’, disse Rizzieri, sugerindo que o governo poderá amargar, por alguns meses, um prejuízo em suas contas, para aliviar o impacto inflacionário de um aumento dos combustíveis.
Só daqui a três meses, Juarez Rizzieri acredita que será possível identificar quais serão os setores econômicos mais atingidos pelo impacto da desvalorização do real. Desde a primeira alteração na política cambial, na última quarta-feira, várias empresas passaram a rediscutir contratos com fornecedores e compradores, para acertarem suas contas. ‘‘A desvalorização é um choque de custo que poderá ser absorvido por alguns setores’’, ponderou o economista.
INPCO Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) de 1998 registrou a menor inflação de toda a série histórica do índice: 2,49%, segundo informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 1997, a inflação medida pelo INPC foi de 5,22%. O índice apura a variação de preços de produtos e serviços com base no consumo de famílias com renda mensal de um a oito salários mínimos. O INPC de dezembro foi de 0,42%. A chefe do Departamento de Índice de Preços ao Consumidor do IBGE, Márcia Quintslr, disse que a não há como fazer projeções sobre a inflação, considerando os efeitos da desvalorização do real sobre os preços.
Chamou a atenção dos técnicos a disparidades entre os resultados, conforme as regiões pesquisadas. No Rio, por exemplo, a alta de preços chegou a 3,9% no ano, ao passo que em São Paulo limitou-se a 1,28%. O resultado no Rio foi consequência do aumento de tarifas de ônibus urbanos, de 14,81%, e da alta de aluguéis, que chegou a 5,94%.

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