Inflação deve ficar mais 'acomodada'
Agência Estado
De São Paulo
Uma inflação mais comportada a partir do mês que vem, permitindo a retomada da queda dos juros já em janeiro, e a valorização do real em relação ao dólar fazem parte do cenário projetado pelo sócio-gerente da BankBoston Asset Management, Fábio de Oliveira, para os próximos meses. Para as bolsas, ele vê boas perspectivas para quem pode aplicar por prazos longos. Maior crescimento da economia, juros reais mais baixos e melhora do fluxo de recursos externos para o País são alguns dos fatores que deverão contribuir para o bom desempenho dos mercados acionários no ano 2000.
Oliveira entende que a inflação deve acomodar-se no mês que vem. Ele acredita que o IPC da Fipe pode ficar em 0,60% em dezembro. Se esse quadro se confirmar, não haverá motivos para o BC elevar os juros. Pelo contrário: Oliveira acredita que a trajetória de queda das taxas poderá ser retomada em janeiro. Na próxima reunião do Copom, em 15 de dezembro, o mais provável é que haja manutenção dos juros em 19% ao ano.
Segundo Oliveira, a alta recente da inflação ocorreu por conta dos aumentos de tarifas e de altas localizadas de preços, como o do álcool combustível. Esse processo não deve repetir-se, e os índices de preços devem voltar a casa de 0,5% ao mês.
Com isso, a inflação no ano que vem deve ficar dentro da meta inflacionária projetada pelo governo, de 6%, com margem de erro de dois pontos porcentuais, para mais ou para menos.
Oliveira acredita que os juros podem cair até o nível de 15% a 16% no ano que vem, indicando que o ganho real (acima da inflação) deve ficar na casa de 9%. Com isso, o investidor que quiser ter rentabilidade um pouco maior terá de correr riscos. De acordo com ele, os fatores que vão determinar a velocidade de queda das taxas são o comportamento da inflação e do nível de atividade da economia.
O câmbio deve recuar no ano que vem, entende Oliveira. A balança comercial tende a melhorar, o que significa que mais recursos estrangeiros vão entrar no Paí. Além disso, os investimentos estrangeiros diretos e em aplicações financeiras também devem fazer com que o real se valorize em relação ao dólar.
Oliveira diz que não deve haver problemas no quadro fiscal nos próximos meses. A demora na tramitação da reforma tributária é indesejável, mas não deverá impedir que se obtenha superávits primários (receitas menos despesas, exceto pagamento de juros) expressivos. Oliveira acredita que, no primeiro semestre do ano que vem, o governo consiga a aprovação da emenda estabelecendo a contribuição previdenciária dos servidores inativos e da lei de responsabilidade fiscal.Taxa menor em dezembro pode permitir retomada da queda dos juros em janeiro, puxando também a valorização do real sobre o dólar
Arquivo FolhaREPIQUE PASSAGEIROAltas localizadas de preços, como a do álcool combustível, puxaram a recente aumento da inflação: para analistas, esse processo não deve se repetir e os índices de preços devem voltar para casa de 0,5% ano mês





