Inflação deve fechar ano acima da meta do governo
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 22 de dezembro de 2011
Victor Lopes <br> <br> Reportagem local 
O grupo de alimentação e bebidas foi o grande responsável pela forte alta do Índice de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15), divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que é a prévia da inflação oficial do País. A inflação medida pelo índice atingiu 0,56% em dezembro, contra 0,46% em novembro. Com este resultado, o IPCA-15 fecha o ano com um acumulado de 6,56%, ou seja, acima da meta inflacionária estipulada pelo governo este ano, de 6,5%.
A classe de alimentação e bebidas saltou de 0,77% para 1,28% e exerceu impacto de 0,3% no índice no mês, representando 54% do IPCA-15 neste fechamento de ano. O principal alimento, como já vem sendo constatado nos últimos três meses, foi a carne, que esta 4,36% mais cara. Também houve elevação nos preços da cerveja (de 1,98% para 3,27%), feijão carioca (de -1,24% para 2,51%), frango inteiro (de 0,91% para 2,11%), café moído (de 3,13% para 2,20%), refrigerante (de 0,89% para 1,70%) e pão francês (de -0,06% para 0,89%). Outras classes que sofreram aceleração e ajudaram na alta do índice são a habitação (0,4% para 0,54%), vestuário (0,87% para 1,10%) e educação (0,03% para 0,04%).
De acordo com Alcides Leite, professor de economia da Trevisan Escola de Negócios, o fato da inflação fechar um pouco acima dos 6,5% não modifica muito em relação ao ponto de vista econômico. Entretando, segundo o especialista, acaba causando um certo mal estar no governo. Isto porque, por decreto, no caso de descumprimento da meta - que é de 4,5% com tolerância de 2 pontos para cima ou para baixo - o presidente do BC, Alexandre Tombini, por meio de carta aberta ao ministro da Fazenda, precisaria descrever detalhadamente as causas do insucesso, além de listar providências para assegurar o retorno da inflação para melhores índices em 2012. ''De certa forma, o governo gastou mais do que podia em 2010, impulsionou o crescimento muito além do que poderia suportar e agora está colhendo os frutos disso'', avalia ele.
Leite explica ainda que entre as providências que serão estipuladas por Tombini, deve estar um esforço fiscal mais rigoroso (que já vem acontecendo este ano), evitar os gastos públicos exagerados e também angariar um superavit primário um pouco mais robusto. ''O intervalo de dois pontos longe da meta já é bem generoso. Não é interessante fugir do centro da meta inflacionária ano após ano, isto pode aparentar que o governo está perdendo o controle sobre a inflação''.
Em relação ao grupo de bebidas e alimentos terem puxado o percentual do índice, o economista relata que isto já era esperado. ''Com o aumento da renda do brasileiro, o consumo acabou aumentando consequentemente''. Dos nove grupos avaliados pelo IBGE, sofreram retração os de artigos de residência (de 0,08% para 0,05%), transportes (de 0,02% para -0,08%), saúde e cuidados pessoais (de 0,46% para 0,41%), despesas pessoais (de 0,82% para 0,74%) e comunicação (de 0,36% para 0,11%). (Com Agência Estado)



