Inflação desacelera em outubro, mas supera teto da meta
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sábado, 08 de novembro de 2014
Andréa Bertoldi<br>Reportagem Local 
Curitiba - A inflação oficial do País ficou em 0,42% em outubro e desacelerou em relação a setembro, quando foi de 0,57%. No ano, a alta acumulada do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) é de 5,05%. Nos 12 meses até outubro atingiu 6,59% e voltou a superar
o teto da meta, de 6,5%. Outubro foi o quarto mês no ano em que a taxa acumulada superou o teto. Os dados foram divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Sete dos nove grupos pesquisados pelo instituto apresentaram percentual de crescimento de preços no mês passado inferior ao verificado em setembro. O grupo alimentação e bebidas foi o que mais contribuiu para a desaceleração do índice na passagem de um mês para o outro - caiu de 0,78% para 0,46%.
A carne bovina foi o principal motivo de pressão para baixo no grupo de alimentos. Em outubro, a carne teve aumento de 1,46%, enquanto em setembro a alta havia sido de 3,17%. A coordenadora de Índices de Preços do IBGE, Eulina Nunes dos Santos, explicou que as carnes sofreram o impacto da redução dos preços das commodities no mercado internacional. Além disso, este produto teve uma queda de demanda tanto nas exportações como no mercado interno.
O coordenador do curso de Economia da Universidade Positivo, Lucas Dezordi, disse que apesar da queda da inflação em outubro, o índice ainda está muito preocupante. "O histórico da inflação nos 12 meses está muito pesado", destacou. Para ele, o resultado de 0,42% verificado no mês passado é alto se comparado ao esforço monetário do Banco Central com o aumento dos juros e também considerando o baixo crescimento da economia.
Depois dos alimentos, habitação e transportes foram os que mais seguraram a alta dos preços. O crescimento da habitação em outubro foi de 0,68%, mais baixo que os 0,77% de setembro. Já os transportes, que tinham subido em setembro 0,63%, tiveram alta de 0,39%. Passagens aéreas foi o item que mais desacelerou, ao apresentar alta de 1,94% em outubro depois de ter subido 17,85% no mês anterior. Os combustíveis também pressionaram. Gasolina e etanol tiveram o mesmo percentual de alta de preços, de 0,18% em outubro, quando no mês anterior tinham verificado queda, respectivamente de 0,07% e 0,01%. Dezordi acredita que o BC vai continuar subindo a taxa de juros Selic para controlar a inflação. "Isso ajuda a não estourar o índice, mas trava a economia".
O diretor de pesquisa do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), Julio Suzuki, também não vê com otimismo o resultado da inflação de outubro e prevê que feche acima do teto da meta neste ano.
"A inflação é um processo preocupante especialmente para o futuro", afirmou Suzuki. Ele alertou que os combustíveis acabaram de aumentar e o dólar vem subindo. Com isso, os produtos que têm influência do dólar devem aumentar. Ele lembrou que a alta dos combustíveis tem efeito multiplicador sobre passagens de transporte urbano e sobre o frete que também reflete nos preços dos produtos para o consumidor final. Suzuki acredita que entre as pressões futuras para a inflação ainda está a energia elétrica.
Dezordi prevê que o índice dos preços administrados fique em 6,26% no ano e o IPCA feche entre 6,55% e 6,6%. Segundo ele, o impacto do aumento dos combustíveis deve refletir nos próximos três meses com o frete e os transportes em geral. (Com agências)



