Inflação desacelera em fevereiro para 0,68%
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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013
Andréa Bertoldi<br>Reportagem Local 
Curitiba - O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) - considerado a prévia da inflação oficial - desacelerou para 0,68% em fevereiro, contra 0,88% em janeiro graças à redução nos preços das tarifas de energia elétrica. De acordo com dados divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no acumulado dos 12 meses, o IPCA-15 registra alta de 6,18%.
A meta de inflação do governo para o ano é de 4,5%, com margem de mais ou menos dois pontos percentuais. Em janeiro, a inflação oficial do País atingiu a maior taxa mensal em quase oito anos, ao subir 0,86%, e acumulando 6,15%.
De acordo com o IBGE, o principal destaque foi a queda de 13,45 pontos nas contas de energia elétrica, item que exerceu o impacto mais significativo para a desaceleração do índice, retirando 0,45 ponto percentual do resultado. Sem isso, a inflação no mês teria superado 1%.
Com o objetivo de ajudar a controlar a inflação e estimular a economia, o governo reduziu as tarifas de energia em 18% para consumidores residenciais e em até 32% para consumidores industriais, agrícolas e comerciais.
A aceleração da inflação vem alimentando apostas de alta da Selic - hoje na mínima histórica de 7,25% ao ano - ainda no primeiro semestre, assim como a expectativa de que a política cambial possa ser usada como ferramenta para contenção de preços.
O economista chefe da Inva Capital e coordenador do curso de Economia da Universidade Positivo, Lucas Dezordi, explicou que, caso o governo interferisse no câmbio, esta medida demoraria de quatro a seis meses para fazer efeito sobre a inflação.
Em Curitiba, a inflação de fevereiro ficou em 0,45% contra 0,76% em janeiro. Em fevereiro, o IPCA-15 de Curitiba foi o segundo índice mais baixo entre 11 capitais pesquisadas, só perdendo para o Rio de Janeiro que registrou inflação de 0,26% no segundo mês do ano. Nos dois primeiros meses do ano, a capital paranaense acumula inflação de 1,22% e nos últimos 12 meses, 5,94%.
Dezordi disse que Curitiba teve este resultado em fevereiro porque o transporte público ainda não foi reajustado e permanece em R$ 2,60. Segundo ele, o custo do transporte e da habitação na capital paranaense ainda é menor em relação a outras capitais. De acordo com levantamento feito pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), para cada 10% de aumento da tarifa de transporte coletivo, há uma elevação de 0,17 ponto percentual na inflação de Curitiba.
Em Curitiba, os grupos pesquisados que apresentaram aumento foram alimentação (1,14%), artigos de residência (1,25%), vestuário (1,19%), saúde e cuidados pessoais (0,77%), despesas pessoais (1,38%) e educação (5,64%). Habitação teve queda de -2,37%.
O economista destacou que o IPCA-15 teve muito impacto de inflação de demanda, especialmente de serviços, como empregados domésticos e alimentação fora do domicílio.
Ele acredita que em março a inflação fique acima de 0,5% ou 0,6% e, o remédio para isso, seria o Banco Central subir um pouco a taxa de juros. Além da diminuição dos juros, o que poderia ajudar a reduzir a inflação seria o governo conter o excesso de demanda e o Produto Interno Bruto (PIB) crescer, ao menos, 3% neste ano. Ele acredita que a inflação pode fechar o ano em 5,4%, portanto, bem acima do centro da meta que é 4,5%. "Caso o governo não aumente os juros, a inflação pode fechar o ano em 6,5% ou mais", prevê. (Com agências)



