Inflação desacelera e varejo tem alta de 6,2%
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terça-feira, 15 de outubro de 2013
Fábio Galiotto<br>Reportagem Local 
O comércio varejista apresentou alta de 6,2% no volume de vendas em agosto sobre o mesmo mês do ano passado, além de 0,9% sobre julho deste ano, segundo a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Apesar dos consecutivos reajustes na taxa de juros, a desaceleração da inflação voltou a atrair consumidores às lojas no segundo semestre e fez com que economistas revisassem para cima as previsões de crescimento para o setor no ano.
No Paraná, o desempenho foi ainda melhor. O Estado fechou agosto com 9,1% de aumento nas vendas sobre o mesmo mês de 2012, atrás apenas de Paraíba (18%), Alagoas (13%), Rio Grande do Norte (12,7%) e Maranhão (10,3%). Os varejistas paranaenses também acumulam em oito meses resultado melhor do que a média nacional, com 5% ante 3,8%. O motivo é a influência do agronegócio, setor que tem sido o motor da economia neste ano, segundo analistas de mercado.
O varejo ampliado, que inclui motos, automóveis, peças e materiais de construção sofreu queda de 0,8% em relação a agosto de 2012, apesar da alta de 3,1% no acumulado do ano. O motivo principal é que o desempenho na venda de veículos foi alto em 2012, devido à redução no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Tanto que o segmento sofreu queda de 12,6% em agosto ante o mesmo período do ano anterior. No Paraná, a variação ainda foi positiva, de 2,1% em agosto e de 6,2% em oito meses.
O economista Fabio Bentes, da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), afirma que o varejo apresenta aceleração sobre o primeiro semestre, quando houve os piores índices da última década. "O motivo é que a inflação no setor no período também foi a mais alta dos últimos dez anos", conta. Bentes explica que boa parte do resultado de 3% de crescimento no primeiro semestre foi motivado pelos reajustes nos valores dos produtos. "Tivemos em agosto o segundo mês seguido com alta surpreendente no comércio e, não por acaso, a explicação é a queda da inflação."
O consultor da Associação Comercial do Paraná e diretor executivo do Datacenso, Claudio Shimoyama, completa que os juros são menos sentidos pelo consumidor, que só costuma observar se a prestação cabe no bolso. "Quando a inflação cai, o consumidor fica animado e o comerciante tenta fazer a parte dele (em relação aos juros), com promoções."
Diretor financeiro da Móveis Brasília, Marcelo Ontivero afirma que lojas que têm crediário próprio conseguem absorver parte dos juros. "A própria indústria está negociando para manter os preços e não prejudicar o consumo", diz Ontivero, também diretor da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil).
Por grupo
Apenas dois de dez grupos de produtos pesquisados pelo IBGE apresentaram queda nas vendas em agosto sobre o mesmo período do ano passado. Além de veículos e peças, que caiu 12,6%, o grupo de livros, jornais, revistas e papelaria teve retração de 0,2%. Todos os outros tiveram alta, com destaque para remédios e itens de higiene pessoal (9,9%), material de escritório, informática e comunicação (8,2%) e móveis e eletrodomésticos (7,9%).
O bom desempenho quase generalizado faz com que o setor estime maior crescimento para o ano. Bentes diz que a CNC elevou a expectativa de vendas de 4,2% para 4,5% no País. Shimoyama vê o Paraná com chance de chegar a 8%.
O economista da CNC, no entanto, explica que há um empecilho para o fim de ano, causado pela alta do dólar. "Os preços no atacado estão subindo e é uma questão de tempo para chegar ao varejo", diz Bentes. Ele prevê reajustes no último trimestre do ano. "Com crescimento menor, o comércio tem menos margem para reter esse aumento, como fez no ano passado."



