O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) desacelerou e fechou julho em 0,01%, puxado pela deflação em quatro dos nove grupos pesquisados. Divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o indicador ficou abaixo de junho deste ano (0,40%) e de julho de 2013 (0,03%), o que deixou o acumulado em 12 meses exatamente em cima do teto da meta estipulada pelo governo, de 6,50%.
De janeiro a julho, o IPCA está em 3,76%, acima dos 3,18% do mesmo período do ano passado. Apesar do temor entre analistas de que o índice do mês neste ano fosse muito acima de julho de 2013, quando houve redução na tarifa de transporte público em várias capitais, o índice voltou a ser baixo.
Novamente, o fiel da balança foi o grupo Transportes, que passou de alta de 0,37% em junho para queda de 0,98% em julho. O resultado foi puxado pela redução de 26,86% no custo das passagens aéreas, mas grande parte dos itens da categoria apresentaram retração, como etanol (-1,55%), pneu (-1,01%), gasolina (-0,80%), lubrificação e lavagem (-0,67%), conserto de automóvel (-0,54%), acessórios e peças (-0,40%), automóvel novo (-0,29%), motocicleta (-0,14%) e automóvel usado (-0,09%).
Também foram menores as despesas com Alimentação e Bebidas (-0,15%), Comunicação (-0,79%) e Vestuário (-0,24%). Entre os gêneros alimentícios, os consumidos em casa diminuíram de preço em 0,51%, principalmente pela variação negativa da batata inglesa (-18,84%), do tomate (-17,33%) e do feijão de cor (-6,42%). Por outro lado, houve alta no valor do leite (2,16%), café moído (1,34%) e frango em pedaços (1,26%).
O delegado em Londrina do Conselho Regional de Economia (Corecon), Laércio Rodrigues de Oliveira, afirma que a deflação já era esperada depois da Copa, diante do aumento de preços que ocorreu antes do evento. No entanto, ele não acredita que o IPCA caia muito mais no ano. "Devemos ter uma acomodação, porque as empresas começaram a reduzir a produção para não correr o risco de sofrer com a queda de preços pelo excesso de oferta", diz, ao lembrar que isso pode afetar o nível de emprego no País.
Consultor da Associação Comercial do Paraná (ACP) e diretor executivo do Datacenso, Claudio Shimoyama faz a ressalva de que o varejo ainda pode diminuir mais os preços para atrair clientes. "Existe uma preocupação pelo baixo desempenho das vendas e o lojista tende a reduzir as margens de lucro nos pagamentos à vista."
Oliveira completa que o governo deve manter a inflação sob controle por meio dos preços administrados, como o de combustíveis, ao menos até depois das eleições. Porém, lembra que o País terá baixo crescimento do Produto Interno Bruto, próximo a 1%, e não poderá mais sofrer com novas altas da taxa básica de juros, a Selic, porque elevaria ainda mais o custo com o pagamento de títulos públicos a bancos e investidores.

Serviços
O setor de serviços registrou a primeira deflação desde janeiro de 2012, com queda de 0,06%, influência direta do fim da Copa do Mundo. Isso porque as tarifas aéreas ficaram 26,86% mais baratas e as dos hotéis, 7,65% menores. Porém, o setor acumula alta de 4,66% no ano, acima do IPCA, que está em 3,76%. Em 12 meses, a alta é de 8,44%. Para Shimoyama, há uma tendência de redução nos preços de serviços nos próximos meses devido à queda da demanda, assim como ocorre com o comércio. (Com Agência Estado)

Imagem ilustrativa da imagem Inflação desacelera e fecha julho em 0,01%



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