Inflação desacelera alta para 0,25% em abril
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sexta-feira, 11 de maio de 2007
Jacqueline Farid<br> Agência Estado 
Rio de Janeiro - A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) recuou para 0,25% em abril, ante 0,37% em março, arrematando a semana de boas notícias para a economia do País. Os alimentos, que tinham subido 0,98% em março, chegaram a abril com preços estáveis (0,03%) e voltaram a contribuir para o controle da inflação.
A coordenadora de índices de preços do IBGE, Eulina Nunes dos Santos, acredita que a partir de agora a safra recorde prevista para este ano, de 132 milhões de toneladas, deverá garantir oferta suficiente de alimentos para evitar reajustes significativos de preços. As fortes chuvas do início de 2007 fizeram com que, apenas no primeiro quadrimestre, os alimentos tenham tido reajuste de 2,65%, superior ao aumento de 1,22% acumulado em todo o ano passado.
Para Eulina, a causa da desaceleração do IPCA de março para abril ''foi bem clara e não há nenhuma surpresa na movimentação da inflação (em 2007)''. A falta de surpresas foi confirmada no mercado financeiro, onde as projeções para a inflação do mês eram na média, exatamente de 0,25%, segundo apurou o serviço Agência Estado.
No ano até abril o IPCA, índice que é referência para as metas de inflação do governo, acumulou alta de 1,51%, resultado inferior ao apurado no primeiro quadrimestre do ano passado, de 1,65%. Nos últimos 12 meses, a taxa ficou em 3,00%.
Em abril, houve queda nos preços de vários produtos alimentícios importantes nas despesas das famílias, como o feijão com arroz típico no consumo dos brasileiros. Eulina listou como destaques de queda a cenoura (-26,32%), tomate (-24,12%), frutas (-2,93%), óleo de soja (-2,53%), feijão carioca (-2,09%) e arroz (-1,13%). Por outro lado, a batata-inglesa teve aumento de 36,41% e apresentou a maior contribuição individual para a inflação do mês, com 0,05 ponto porcentual.
Como grupo, os combustíveis, por sua vez, responderam pelo maior impacto de alta (0,06 ponto porcentual) do IPCA, segundo explicou Eulina. O álcool combustível teve reajuste de 7,34% no mês e a gasolina, de 0,66%. Houve aumento também, entre outros, na taxa de água e esgoto (0,72%), artigos de vestuário (0,33%), remédios (0,50%) e cigarro (0,71%). .
Segundo Eulina, não há pressões fortes para o IPCA de maio. Ela explicou que os impactos já conhecidos para o mês são o reajuste de ônibus urbano em Curitiba (5,6% a partir de 26 de abril), além de continuidade dos efeitos dos reajustes dos medicamentos - refletindo ainda o reajuste concedido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 31 de março - e dos cigarros.
Para ela, os alimentos não devem voltar a subir. ''Dissipado o efeito das chuvas intensas do início do ano, o que estamos vendo em abril é reflexo da ótima safra prevista para este ano, de 132 milhões de toneladas'', disse.
A analista Marcela Prada, da Tendências Consultoria, acredita que o IPCA de maio deve manter o bom resultado de abril. Segundo a projeção da consultoria, a taxa deve ser novamente de 0,25%, com os preços dos alimentos ainda contribuindo favoravelmente para o comportamento da inflação.


