Inflação de outubro foi a segunda maior do ano
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quinta-feira, 08 de novembro de 2012
Nelson Bortolin <br> <br> Reportagem Local 
Puxada principalmente pelos alimentos, a inflação de outubro foi de 0,59%, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE). É a segunda maior do ano, perdendo apenas para a de abril (0,64%). No acumulado de 2012, o IPCA chegou a 4,38%, muito próximo do centro da meta, que é de 4,5%. O único consolo é que, no mesmo período do ano passado, a inflação estava mais de um ponto porcentual acima, a 5,43%.
Os preços dos alimentos e bebidas subiram 1,36% em outubro, representando mais da metade (0,32 ponto porcentual) do índice do mês. Em setembro, o grupo havia sofrido uma inflação um pouco menor, de 1,26%.
O arroz foi o produto que mais colaborou para a inflação no mês passado. Seu preço subiu 9,88%. As carnes, cuja alta chegou a 2,04%, também ajudaram. Segundo o IBGE, outro impacto importante foi o das refeições consumidas fora do domicílio, que sofreram uma inflação de 0,7%.
Das 11 regiões metropolitanas pesquisadas pelo IBGE, a de Curitiba registrou a menor inflação: 0,39%. E Belém teve a maior, 1,02%. A queda de 3,38% nos preços dos automóveis usados e de 1,08% no da gasolina ajudaram a segurar a inflação na capital paranaense.
Para o professor de macroeconomia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Marcelo Curado, a inflação está sob controle no País. ''Não vamos conseguir ficar no centro da meta (4,5%), mas também não chegaremos ao teto (6,5%). Acho que é razoável para a economia brasileira. O índice não deve ser festejado, mas também não é o fim do mundo'', analisa.
Sobre a inflação estar mais de um ponto porcentual abaixo da de 2011, o professor diz que o fato deveria ser comemorado caso o crescimento econômico do País não fosse tão inexpressivo (a previsão é de que o PIB do ano seja de 1,5%). ''Esse é o ponto que tem de ser observado. A inflação está sob controle, mas num cenário em que o Brasil não está crescendo nada'', ressalva.
Para ele, o desafio será manter a inflação dentro da meta no próximo ano com o crescimento previsto de 3,5% ou acima disso. ''Nesse caso, a pressão inflacionária será maior e talvez o governo tenha de aumentar os juros'', destaca.
Quanto ao peso dos alimentos no IPCA, Curado diz que esse não se trata de problema exclusivo do Brasil. ''No mundo inteiro os preços das commodities e dos alimentos vêm subindo. Essa é uma tendência que veio para ficar'', declara.
Segundo o economista Márcio Luís Massaro, professor da PUC Londrina e da Faccar de Rolândia, a inflação no próximo ano tende a ficar mais próxima do centro meta. Ele concorda com o coleta da UFPR quando afirma que a inflação sob controle deveria ser comemorada somente num cenário de aquecimento econômico. ''Mas nosso crescimento será ínfimo. Então, considero que não é o caso de se comemorar. Mas também não é para acender a luz vermelha'', declara.
De acordo com Massaro, o preço do arroz disparou em outubro como reflexo das secas do ano passado. ''As colheitas que deveriam ter acontecido neste ano não aconteceram. E o preço subiu agora. É a lei do mercado: faltou produto, o preço sobe'', analisa.



