Inflação de novembro recua e fecha em 0,54%
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sábado, 07 de dezembro de 2013
Fábio Galiotto<br>Reportagem Local 
A inflação oficial recuou para 0,54% em novembro, o que reduziu de 5,84% para 5,77% o acumulado em 12 meses. A queda no preço de alimentos contribuiu para o resultado menor do que o de outubro, quando foi de 0,57%, e do penúltimo mês de 2012, de 0,60%, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O indicador acumula alta de 4,95% desde janeiro, também abaixo dos 5,01% dos 11 primeiros meses de 2012. Apesar do maior distanciamento em relação ao teto da meta estipulada pelo Banco Central (BC), de 6,50%, economistas afirmam que não há o que comemorar pelo baixo crescimento econômico. Eles também aguardam o resultado de dezembro, quando será sentido o impacto do reajuste nos combustíveis e quando os preços naturalmente sobem pela demanda das compras de fim de ano.
Quanto aos alimentos, a queda nos preços era esperada para o fim de ano. No grupo Alimentação e Bebidas, a taxa foi de 1,03% em outubro para 0,56% em novembro. Itens básicos na mesa do brasileiro sofreram as maiores reduções, como o feijão carioca (-7,96%), o leite longa vida (-2,44%), o ovo de galinha (-1,57%), a cenoura (-1,24%) e o arroz (-1,04%).
Por outro lado, tiveram reflexo de alta sobre o índice os grupos Habitação (de 0,56% em outubro para 0,69% em novembro), Transportes (0,17% para 0,36%), Saúde e Cuidados Pessoais (0,43% para 0,87%), e Comunicação (0,08% para 0,40%). Os três itens que mais contribuíram foram passagens aéreas, com 6,52%, energia elétrica, 1,63%, e empregado doméstico, 0,97%. Juntos, os três representaram 0,12 pontos percentuais (p.p.) de 0,54 p.p. do IPCA, conforme a metodologia do IBGE.
O professor de economia José Moraes Neto, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), afirma que a desaceleração da inflação era aguardada para o segundo semestre. "Era esperado que os preços de alimentos caíssem, porque houve pressão no início do ano pelo aumento nos valores de commodities e pela menor oferta de alguns produtos."
Porém, para o presidente do Sindicato de Economistas de Londrina, Ronaldo Antunes, não há motivo para animação. "Estamos em um cenário ruim, com inflação longe do teto da meta (de 4,5%), crescimento pequeno e taxa de juros subindo", diz. Ele acredita que apenas uma melhor gestão fiscal por parte do governo federal poderia reverter o quadro. "Apesar de ser muito difícil que ocorra em 2014, por ser ano eleitoral, só assim seria possível conter a inflação sem elevar juros."
Moraes Neto também critica as altas taxas de juros. "O impacto é em longo prazo e mais sobre a redução do consumo por crediário, mas desestimula investimentos e aumenta os custos do setor produtivo, o que também gera impacto na inflação."
Ambos acreditam que o IPCA de dezembro deixará o índice próximo aos 5,84% estimados pelo governo. O resultado do mês em 2012 foi de 0,79%, mas a consultoria Rosenberg & Associados prevê que feche em 0,81% neste ano, principalmente pelo reajuste de 4% para a gasolina e de 8% para o diesel, que impacta no grupo Transportes. "Isso pode adicionar 0,11 ponto porcentual no IPCA", diz o economista Fernando Parmagnani, da empresa.
INPC
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mede a variação dos preços para as famílias com renda de um a cinco salários mínimos, foi de 0,54% em novembro, após alta de 0,61% em outubro. Conforme divulgado ontem pelo IBGE, o indicador acumula alta de 4,81% em 2013, e de 5,58% nos 12 meses encerrados em novembro. (Com Agência Estado)



