Inflação de março atinge menor patamar da série do IBGE
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terça-feira, 10 de abril de 2018
Nelson Bortolin<br>Reportagem Local 

A inflação de 0,09% em março, medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), foi a mais baixa para o mês em toda a série histórica iniciada na implementação do Plano Real, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Como resultado, a taxa acumulada em 12 meses voltou a recuar, passando de 2,84% em fevereiro para 2,68% no mês passado.
Dois dos nove grupos que integram o IPCA registraram redução de preços em março. Os gastos com transportes caíram 0,25%, enquanto as despesas com comunicação diminuíram 0,33%. Entre as altas, o grupo saúde e cuidados pessoais apresentou a maior variação no mês (0,48%).
O economista e professor da UFPR (Universidade Federal do Paraná) José Guilherme Vieira não descarta a possibilidade de o País terminar 2018 com inflação abaixo do piso da meta estabelecida pelo Banco Central, de 3%. No último Boletim Focus, divulgado na segunda-feira (6) pelo banco, o mercado previa um IPCA de 3,53% no ano. "Os elementos que puxam a inflação no Brasil estão relacionados principalmente com os alimentos. Neste sentido não há nenhuma ameaça", declara ele, ressaltando que o País vive uma sequência de boas safras.
Vieira ressalta que os preços controlados pelo governo também estão em baixa. "Não temos visto as pressões tradicionais."
A proximidade de eleições, período em que os investimentos do governo e da iniciativa privada desaceleram, também ajuda a segurar os preços. O único fator que poderia fazer a inflação subir, na visão do economista, é o cambial. "Em caso de grande instabilidade política, é comum o dólar subir. Aliás, já tem subido e pode afetar os preços de vários produtos", conta.
Para Vieira, a inflação abaixo da meta não é efeito apenas da política econômica do atual governo. É também sintoma da fraqueza da economia, cuja retomada é considerada muito lenta. "Eu acho que os dois elementos devem estar operando juntos."
Embora admita a influência da baixa demanda na inflação, o economista e professor da UEL Azenil Staviski diz que é preciso comemorar a queda do IPCA em 12 meses. "Quanto mais baixo melhor principalmente para o trabalhador, que está ganhando poder aquisitivo", afirma.
Para ele, é pouco provável que a inflação volte a assombrar os brasileiros no curto prazo, tendo em vista o pessimismo em relação a um crescimento econômico mais vigoroso. "O cenário político com prisão do ex-presidente Lula cria incertezas. O cenário internacional, com expectativa de crescimento menor, também influencia", analisa.
Staviski ressalta que o mercado vem revendo para baixo a estimativa de aumento do PIB brasileiro. Segundo o Boletim Focus, há quatro semanas a estimava era que o Brasil cresceria 2,87%. No início da semana passada, a projeção caiu para 2,84% e na última segunda-feira para 2,80%.
O economista do Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas Socioeconômicas) Fabiano Camargo da Silva não tem dúvida de que a inflação está no atual patamar devido à crise econômica e ao desemprego gerado por ela, reduzindo a demanda dos trabalhadores por bens e serviços. "O empresário pensa duas vezes antes de repassar custos para o preço das mercadorias", alega.
Silva lembra que a inflação baixa ocorre depois de um período de altas de preços muito significativas, como em 2015 e 2016, quando o IPCA fechou em 10,67% e 6,29%, respectivamente. "As pessoas nem sentem muito que a inflação desacelerou", alega. (Com Agência Estado)


