Inflação de junho fecha em alta moderada
Grupo Saúde e Cuidados Pessoais puxa inflação, pressionado pelo aumento dos preços de perfumes e planos de saúde
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 10 de julho de 2019
Grupo Saúde e Cuidados Pessoais puxa inflação, pressionado pelo aumento dos preços de perfumes e planos de saúde
Aline Machado Parodi - Grupo Folha 
A inflação medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) fechou junho com alta de 0,01%, ante um avanço de 0,13% em maio, de acordo com o IBGE ( Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). A taxa acumulada pelo IPCA no ano foi de 2,23%. Em 12 meses ficou em 3,37%.
O maior impacto de alta veio do grupo Saúde e Cuidados Pessoais, com avanço de 0,64%, acrescentando 0,08 ponto porcentual (p.p.) no indicador, que subiu 0,01% na leitura do mês passado. As altas de 2,19% nos perfumes e de 0,80% no plano de saúde explicam a pressão do grupo.
Alimentos e bebidas e Transportes, que representam juntos 43% das despesas das famílias, apresentaram deflação em junho. Comunicação e Habitação também tiveram impacto negativo.
Segundo o especialista em economia, professor Márcio Massaro, o IPCA de junho é reflexo do cenário político com o avanço da tramitação da reforma da Previdência na Câmara dos Deputados. “O resultado de maio era reflexo do desarranjo político. A medida que as coisas se encaminham para resolução, o mercado vê com bons olhos e entende que não precisa se antever a nada”, comentou o professor.
Por outro lado, ele ressalta que o índice reflete o cenário de recessão que o país atravessa. A inabilidade em criar emprego segura os investimentos e deixa um ambiente sem muito espaço para alta dos preços.
A taxa dispersão do índice é pequena. As baixas são em itens que pesam um pouco mais na composição do IPCA. O grupo Alimentação e Bebidas registrou queda de 0,25%, acumulando variação de 2,89% em 2019. Essa deflação se deveu à intensificação na queda dos preços de frutas (-6,14%) e feijão-carioca (-14,80%).
Segundo gerente de Snipc (Sistema Nacional de Índices de Preços) do IBGE, Fernando Gonçalves, a melhora na oferta de feijão e de frutas contribuiu para a segunda deflação mensal seguida de alimentos. Os dois itens já haviam recuado em abril e maio: respectivamente, -0,71% e -2,87% para as frutas e de -9,09% e -13,04% para o feijão-carioca.
O grupo Transportes (-0,31%) concentrou os impactos mais intensos sobre o IPCA, em ambos os sentidos. No lado positivo está o item passagem aérea com 18,90% de variação e 0,07 p.p. de impacto. Influenciando negativamente estão os combustíveis (-2,41%) com destaque para a gasolina (-2,04% e -0,09 p.p.). “A gasolina e o álcool caíram bastante, mas na composição do índice não tem um peso muito grande”, disse Massaro.
CENÁRIO DE ALTA
O especialista pontua que o índice de julho deve apresentar uma alta mais significativa, em função das perdas no campo com a geada registrada no fim de semana. Há registro de perdas de grandes lavouras de café em Minas Gerais, por exemplo. A sazonalidade do tomate também deve impactar o IPCA no próximo mês. A fruta teve variação de -15,08% em maio para 5,25% em junho.
O preço da energia elétrica também puxou o IPCA para baixo com a bandeira verde praticada em junho, mas, de acordo com Massaro, o reajuste anual autorizado pela Anael (Agência Nacional de Energia Elétrica) para as distribuidoras, inclusive para a Copel, não foi capturado pela leitura do mês passado. “Vai ter majoração dos produtos porque a energia elétrica é insumo e vai ter que ser colocado [reajuste] no preço”, explicou o especialista.
O professor afirmou que o IPCA em queda não terá reflexos palpáveis no dia a dia do consumidor. “Inflação em queda significa aumentar preço em uma velocidade menor, mas ainda vamos perceber que as coisas continuam aumentando no supermercado. As percepções são muito pontuais, como a queda do preço da gasolina, mas na contabilidade geral uma coisa anula a outra”, comentou. Caso a queda prossiga por três ou quatro meses, então o consumidor poderá sentir reflexos.
Ele ressalta que a inflação em queda seria positiva se o país não estivesse vivendo uma recessão com alta taxa de desemprego. “Ela viria de uma situação de saúde de marco, mas agora tem um peso forte da recessão e do desemprego neste cálculo”, analisou. (Com Agência Estado)



