Inflação de janeiro, pela FGV, fica em 0,36%
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quinta-feira, 31 de janeiro de 2002
Irany Tereza e Nilson Brandão Agência Estado 
Rio - Mais uma vez fatores sazonais, como as fortes chuvas do Sudeste, pesaram no resultado da inflação de janeiro, medida pelo Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), que ficou em 0,36%, acima do índice de dezembro, de 0,22%. O índice, porém, ficou bem abaixo do resultado de janeiro de 2001, de 0,63%. A redução no preço dos combustíveis, consequência da liberação total do mercado, e a baixa na cotação do dólar tiveram efeito positivo sobre os preços no atacado e no varejo e permitiram em janeiro um resultado melhor do que no início de 2001.
No período de coleta de dados - entre o dia 21 de dezembro e 20 de janeiro -, a variação do dólar foi absolutamente distinta nos meses comparados: 0,06% em janeiro de 2001, 8,04% em dezembro de 2001 e 2,33% em janeiro de 2002. Os técnicos da Fundação Getúlio Vargas, responsáveis pelo cálculo o IGP-M, estão prevendo para fevereiro variação de preços menor do que a deste mês, com taxa de 0,26%. A projeção leva em consideração que a redução no preços dos combustíveis ainda não foi totalmente apurada e toma por base a manutenção do dólar numa média de R$ 2,40.
Segundo o gerente de Índices Gerais da FGV, Elivaldo Pereira Conceição, até agora foi captada uma queda de 5% da gasolina sobre os preços no atacado e de 7,03% no varejo. É possível que ainda haja uma redução de mais 7% no varejo e 13% no atacado, diz o economista. Em janeiro de 2001, a gasolina no atacado havia registrado alta de 1,24%.
A variação da soja no atacado também é um bom indicador da diferença do câmbio entre os dois janeiros: em 2001, o produto, que tem cotação em dólar, havia registrado alta no IGP-M de 2,52%; este ano, no mesmo mês, caiu 8,3%.
Em contrapartida, os efeitos do clima na formação de preços causaram grandes aumentos para os produtos agrícolas no atacado, como o do repolho, de 92,04%, e o da cenoura, de 80,17%. Isto foi resultado principalmente das chuvas da região Sudeste, que prejudicaram as lavouras.
O reajuste extra nas tarifas de energia, que incidiu sobre todos os Estados, provocou também um aumento na eletricidade de 1,25% no preço ao consumidor. Geralmente, o aumento nas tarifas de energia ocorrem em datas diferenciadas, de acordo com cada distribuidora estadual. Ainda com relação às tarifas, a retirada do subsídio do gás, a partir de 1º de janeiro, provocou aumento de 10,79% nos preços ao consumidor. E as matrículas escolares foram responsáveios por um aumento de 4,14% no item Educação do IPC.


