Inflação de alimentos ainda preocupa
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terça-feira, 15 de julho de 2008
Francisco Carlos de Assise Flavio Leonel<br>Agência Estado 
São Paulo - Apesar de o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ter minimizado agora o efeito da inflação nas vendas do varejo, economistas acreditam que a escalada dos preços pode prejudicar o desempenho do setor. Para o economista-chefe do Núcleo de Estudos e Projeções Econômicas da Gouvêa de Souza, César Fukushima, o momento ainda inspira cautela.
O crescimento de 10,50% no volume de vendas em maio em relação a maio do ano passado já era esperado por Fukushima, especialmente pela recuperação do setor de hiper e supermercados, que depois de ter visto suas vendas caírem 0,50% em abril comparativamente ao mesmo mês em 2007, registrou um aumento de 8,40% em maio na comparação interanual.
As vendas dos hiper e supermercados cresceram 1,10% depois de terem caído 0,20% em abril ante março. ''Este setor é o que mais influencia o comércio varejista, é ele que mede a possibilidade de expansão nas vendas. Porém, devido à alta da inflação no setor de alimentos, a tendência é de queda'', alerta Fukushima, ressaltando que segundo o IBGE, a inflação desse setor está em 15,80%, no acumulado de 12 meses. Outro setor que comprova o momento de cautela, segundo o economista da Gouvêa de Souza, é o de outros artigos de uso pessoal, que em maio mudou de patamar, atingindo uma alta de 10,60%, bem abaixo do que foi constatado em março, 27,60%, por exemplo.
De acordo com Fukushima, isso indica que os consumidores estão deixando de adquirir bens supérfluos, devido aos altos índices de inflação. Assim também está sendo com o setor de tecidos, vestuários e calçados que cresceu bem abaixo do esperado, atingindo um índice 3,60%, apesar de maio ser o mês do Dia das Mães. ''Não apenas a inflação está contribuindo para esta queda, mas principalmente os altos índices de endividamento da população, impulsionado pelos financiamentos à pessoa física, que em maio de 2008 foi de 23,70%'', explica Fukushima.
Entretanto, diz ele, setores como os de informática (29,90%) e combustíveis e lubrificantes (12,90%) vêm mantendo as altas taxas de crescimento do comércio varejista. ''O setor de tecnologia cresce devido à queda dos preços, principalmente, dos notebooks e também pelo aumento dos prazos de pagamentos. Já o de combustíveis e lubrificantes é impulsionado pelo aumento das vendas de veículos, que continuam a todo vapor. De acordo com a Fenabrave, no acumulado de 2008, este crescimento foi significativo, atingindo 27,30%'', afirma o economista.
De todo modo, o economista ainda está cauteloso em relação à expansão do comércio varejista, mas continua apostando na excelente taxa de crescimento anual de 8,50% para o ano. ''Ao analisar o Índice de Fluxo no Varejo (IFV), constamos que em junho há uma tendência de queda e isso deve se refletir na próxima Pesquisa Mensal do Comércio (PMC)'', diz Fukushima a se referir ao índice feito pela Gouvêa de Souza em parceria com a Virtual Gate.
Além disso, complementa o economista, com a estabilidade do prazo médio de pagamento, em torno de 457 dias corridos, os agentes econômicos poderão segurar o crédito com receio da inadimplência. ''Isso afetará diretamente o comércio varejista.''
Consumo elevado - Já a economista-chefe da Arkhe DTVM, Inês Filipa, avalia que a pesquisa não trouxe resultados surpreendentes, mas mostrou que, apesar de as taxas de inflação atingirem naquele mês números elevados, o consumo no País continuou basicamente no nível aquecido observado nos últimos levantamentos.
Ele avaliou que o segmento supermercadista foi o principal destaque da pesquisa e o verdadeiro termômetro para ela chegar a essa conclusão. ''No mês de maio, mesmo com a alta do IPCA, de 0,79%, o que sustentou o resultado do comércio varejista mais fortemente foram as vendas dos supermercados. Elas tinham registrado queda em abril e se recuperaram na sequência'', comentou Inês Filipa. ''É um fator bastante positivo, pois, mesmo com a deterioração da renda, por causa do aumento da inflação, o consumo continuou forte'', disse.


