A taxa de inflação calculada pelo Dieese na cidade de São Paulo em agosto afetou mais as famílias de menor poder aquisitivo. Enquanto a inflação média, segundo o ICV do Dieese, fechou o mês com uma variação de 0,65%, o custo de vida para as famílias com renda até R$ 377,49 subiu, em média, 0,89%.
Segundo a economista e coordenadora do ICV-Dieese, Cornélia Nogueira Porto, as famílias mais pobres foram as mais atingidas por causa dos aumentos ocorridos nos grupos Transportes (1,39%), Alimentação (0,71%) e Despesas Pessoais (2,84%), que juntos contribuíram com 0,75 ponto percentual para o índice de 0,89%. Dentro do grupo Transportes, as maiores pressões vieram dos transportes coletivos (2,06%), refletindo os reajustes nas tarifas de metrô, ônibus (interestadual e intermunicipal) e trem de subúrbio ocorridas a partir da segunda quinzena de julho.
Também houve aumento nos gastos com transporte individual (1,15%), devido ao aumento da gasolina (2,68%). Esse subgrupo, no entanto, pesa pouco no custo de vida das famílias mais pobres. O grupo Alimentação, com alta de 0,71%, também foi um dos responsáveis pela a elevação do custo de vida das famílias de renda mais baixa.
Os alimentos industrializados subiram 0,65%. Os produtos in natura e semi-elaborados subiram 0,79%. As maiores altas ficaram por conta das raízes e tubérculos (4,51%), cebola (11,21%), alho (9,09%), feijão (6,72%) e frutas (2,10%).
O aumento do grupo Despesas Pessoais, de acordo com a coordenadora do ICV, foi consequência da ''maquiagem'' de preços ocorrida no papel higiênico. De acordo com Cornélia, ainda que o preço do rolo de papel tenha ficado praticamente estável, a quantidade de produto por embalagem diminuiu, passando de 40 para 30 metros, resultando em um aumento real de preço de 32,34%.
Para as famílias da faixa intermediária, com renda média mensal de até R$ 934,10, o ICV registrou uma taxa de inflação de 0,70%. Para as famílias mais ricas, com renda mensal até R$ 2,792,90, o ICV apurou uma taxa de inflação de 0,55%. Estas famílias foram mais pressionadas pelo aumento da gasolina (2,68%), que levou o subgrupo transporte individual a fechar o mês de agosto com uma variação de 1,15%.

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