A inflação de 1997, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), ficou em 4,34%, o que representa a menor taxa anual de inflação de toda a série histórica de índice de preços ao consumidor do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), iniciada em 1979. A variação de dezembro foi de 0,57%. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a variação de preços com base no consumo médio de famílias com renda mensal de um a quarenta salários mínimos, também apresentou taxa recorde em 1997, com 5,22% de inflação. Já o mês de dezembro registrou taxa de 0,43% medida pelo IPCA.
A maior alta do INPC, que mede a variação de preços com base no consumo médio de famílias com renda mensal de um a oito salários mínimos, aconteceu no primeiro semestre, que fechou com 3,04% de inflação. A causa foi o realinhamento de preços e de serviços importantes. A taxa média mensal, neste período, foi de 0,50%. A inflação do segundo semestre foi de 1,27%. Nos últimos seis meses de 1997, a taxa média mensal caiu para 0,21%. No ano inteiro, a média mensal foi de 0,36%. O maior índice ficou no Rio de Janeiro, com 6,28% de inflação, seguido de São Paulo, com 5,72%.
Os grupos que mais contribuiram para conter a inflação, em 1997, foram os artigos de residência (-3,04%), vestuário (-0,46%) e, alimentação e bebidas (1,37%). O gerente substituto do Sistema de Índice de Preços ao Consumidor do IBGE, Sérgio Marques, explicou que a queda nos preços dos artigos de residência e vestuários caracterizaram-se principalmente pela maior competitividade que o setor vem sofrendo, sob a influência das importações, das taxas de juros menores e do poder de barganha do consumidor. ‘‘O segmento de calçados, por exemplo, teve uma queda de 2,91% no ano’’, destacou Marques. O item TV e Som também teve uma variação negativa expressiva, de 9,08%. Os alimentos também sofreram uma queda importante de preços, atribuída a boa safra agrícola.
Os vilões da inflação foram os grupos transportes e comunicações, habitação, saúde e cuidados pessoais, e despesas pessoais. O telefone residencial foi o maior inimigo do consumidor, com um aumento nas contas de 98,15% em média. Nos combustíveis, a alta foi de 17,03%.

mockup