Arquivo FolhaO vilãoA inflação medida pela Fipe só não ficou em 1 dígito por causa do aumento nos combustíveis

SÃO PAULO - A inflação em São Paulo no ano passado foi a mais baixa em 46 anos. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas da USP (Fipe), teve alta de 10,03%, a menor desde 1950, quando havia subido 3,73% no ano. A alta só não foi menor por causa da correção da tarifa de combustível, que fez o IPC subir 0,17% em dezembro. A previsão para este ano é de uma inflação de 5% a 6%. Em janeiro, o IPC deve ficar em 1%, a maior alta mensal de 1997, prevêem técnicos da Fipe.
Vários itens que compõem a pesquisa subiram menos do que a média. Os preços dos alimentos, ao longo de 1996, tiveram reajustes médios de 2,12%. Uma das principais contribuições para isso foi a queda de 1,38% no custo da comida industrializada. As despesas pessoais ficaram em média 5,58% mais caras. O custo da roupa de maneira geral teve variação negativa de 3,14%. As maiores altas foram das despesas com habitação (18,25%) e transportes (20,01%).
As tarifas públicas também pressionaram o IPC. Os serviços residenciais, onde estão incluídos contas de água, luz e telefone, ficaram em média 28,32% mais caros e os gastos com transportes subiram 31,61%. O consumidor pagou muito mais também pelas mensalidades escolares, que foram corrigidas em 33,83%, e pelos aluguéis, que tiveram os contratos reajustados em média em 31,61%.
Esses itens que pressionaram mais no ano passado certamente serão os que mais devem pressionar este ano, especialmente as tarifas públicas. ‘‘Mas a pressão será bem menor’’, ressalva o economista Heron do Carmo, coordenador da pesquisa do IPC.
Um indicativo disso, analisa ele, é a variação dos preços no segundo semestre de 96. Nesse período o IPC subiu 2,84%, o que equivale a uma variação mensal média menor de 0,5%. Nesse período, preços públicos ainda são os que mais pressionam, embora em menor intensidade. Serviços públicos residenciais, por exemplo, tiveram variação de 7,66%. ‘‘Telefone ficou 100% mais caro e não deve subir mais’’, prevê Carmo. Aluguel, segundo ele, também não deve subir muito mais do que os 5% ou 6%.
A inflação em janeiro, prevê, será a mais alta do ano. Além de parte da correção dos combustíveis, o índice deste mês vai ter forte pressão do pagamento do Imposto sobre a Propriedade de Veículo Automotor (IPVA), de algumas correçãoes dos preços dos alimentos, mas especialmente das matrículas e mensalidades escolares. A variação no mês deve chegar a 1%, mas a média mensal no ano, prevê, não deve ficar acima de 0,5%.
Nem um ajuste no câmbio, segundo Carmo, pode provocar mundanças significativas nas previsões de inflação para 97. ‘‘O ajuste não teria impacto na inflação a curto prazo’’, avaliou. ‘‘Dependendo, é claro, da magnitude’’, acrescentou. Para ele, a influência na taxa, no caso de uma correção cambial, seria mais forte por causa do efeito sobre as importações, que desde o Real têm contribuído para frear os reajustes da indústria, do que pelo ajuste.

mockup