Inflação de 12 meses chega a 7,7%, a maior desde 2005
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sexta-feira, 06 de março de 2015
Daniela Amorim e Gustavo Porto<br> Agência Estado 
Rio - A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 1,22% em fevereiro ante uma variação de 1,24% em janeiro, informou ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com isso, a taxa acumulada no ano é de 2,48%, e o resultado em 12 meses ficou em 7,70%. É o segundo mês consecutivo que o IPCA fica acima do teto da meta de tolerância do governo, de 6,5% ao ano. Em janeiro, a taxa estava em 7,14%. O acumulado de 12 meses em fevereiro é o maior desde maio de 2005, quando ficou em 8,05%.
Os preços da gasolina subiram 8,42% em fevereiro, fazendo do item o principal destaque da inflação medida pelo IPCA. A elevação refletiu o aumento nas alíquotas do PIS/Cofins, que entrou em vigor em 1º de fevereiro. Como resultado, a gasolina foi responsável por 25,41% da taxa de inflação no mês, uma contribuição de 0,31 ponto porcentual para a variação de 1,22% registrada pelo índice.
Também sob influência do aumento nas alíquotas do PIS/Cofins, o óleo diesel teve alta de 5,32%. Já o etanol ficou 7,19% mais caro. Os gastos com transporte cresceram 2,20%, maior impacto de grupo no mês, o equivalente a 0,41 ponto porcentual. Além dos combustíveis (7,95%), as famílias tiveram de gastar mais com automóvel novo (2,88%), ônibus urbano (2,73%), ônibus intermunicipal (1,68%), táxi (1,21%) e conserto de automóvel (1,20%).
A economista Adriana Molinari, analista de inflação da Tendências Consultoria, avaliou que a inflação medida pelo IPCA deve seguir acima de 1% em março - ante altas de 1,22% em fevereiro e 1,24% em janeiro. Para ela, 2015 fechará com 7,9%, bem acima da teto de 6,5% da meta.
Segundo a economista, a inflação será pressionada pela disparada de 14,2% nos preços administrados. Os preços livres, nas projeções da Tendências, terão aumento acumulado de 6% este ano. Adriana disse que alta de 1% estimada para março deverá ser reflexo dos aumentos extraordinários para a energia elétrica e ainda da adoção das bandeiras tarifárias no cálculo do consumo doméstico. "Com isso, o acumulado em 12 meses já deve superar os 8% em março".
A inflação pressionada deve levar o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central a elevar ainda mais a taxa básica de juros, mas os efeitos de fato sobre os aumentos de preços devem ser limitados, alertam economistas. "Quando você tem uma política fiscal contracionista, a política monetária não precisa ser tão contracionista como foi no passado. A discussão de qual vai ser a taxa de juros vai depender de o Congresso aprovar a política fiscal do Levy (Joaquim Levy, ministro da Fazenda)", avaliou o professor Luiz Roberto Cunha, decano da PUC-Rio.
Na avaliação do economista Marcel Caparoz, da RC Consultores, é importante que o Banco Central continue sinalizando para o mercado que ainda está comprometido em atuar para fazer a inflação convergir para o centro da meta, de 4,5% no ano. "Mas, de maneira prática, ele tem uma capacidade muito reduzida de fazer isso acontecer. O efeito desse aumento na taxa de juros sobre a inflação vai ser muito pouco. Talvez só convirja (para a meta) em 2017", disse o analista da RC.


