Rio - Os reajustes nos preços administrados, a alta do dólar e a entressafra de produtos alimentícios elevaram a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para 1,19% em julho. A taxa, referência para a política de metas de inflação do Banco Central, foi quase três vezes superior à apurada em junho (0,42%) e registrou a maior variação mensal de preços desde julho do ano passado (1,33%).
No ano, a inflação já acumula alta de 4,71%, quase chegando ao teto da meta anteriormente estabelecida pelo governo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), de 5,5%, e oportunamente ampliada, nesta semana, para um limite de 9%. Nos últimos 12 meses até julho, o IPCA chegou a 7,51%.
Os preços administrados foram responsáveis, sozinhos, por 0,78 ponto porcentual do índice no mês, ou mais da metade da taxa. A maior contribuição individual nesse caso foi dada pela telefonia fixa, com alta de 10,54%.
O repasse do câmbio ficou concentrado em produtos alimentícios com insumos em dólar, como pão francês e óleo de soja. Mas como é forte o peso de ambos sobre a inflação, ''o dólar teve uma contribuição bastante significativa para a alta dos alimentos'', avalia a gerente do Sistema de Índices de Preços do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Eulina Nunes dos Santos.
Ela lembrou que alguns preços administrados também sofrem forte pressão do dólar, como é o caso das tarifas de energia elétrica, que representaram a segunda maior contribuição para a inflação de julho, com aumento de 4,26%. Os reajustes nesse caso ocorreram com reflexo dos aumentos apurados em São Paulo (11,8%) e Curitiba (9,13%). Houve efeito também do seguro-apagão, que representou em média um acréscimo de 0,36% nas contas dos consumidores.
Ainda no grupo dos preços administrados, houve aumento no gás de cozinha (4,42%), gasolina (2,87%) e ônibus intermunicipais (1,31%) e interestaduais (6,54%), além das tarifas aéreas (2,46%), óleo diesel (7,97%) e telefone público (6,15%).
Do lado dos produtos alimentícios, o aumento de 1,05% apurado no IPCA de julho foi o maior do ano, contrastando com a estabilidade de junho e as quedas registradas em abril e maio. Sob efeito do dólar, além do pão francês (5,64%) e do óleo de soja (9,13%), foram reajustados os preços da farinha de trigo (4,37%), macarrão (1,21%) e biscoitos (1,03%).
A entressafra elevou os preços do leite pasteurizado (2,64%), com reflexos em produtos de laticínios como queijo mussarela (4,33%) e iogurte (2,49%). Mas as maiores altas continuam sendo provocadas pelos problemas climáticos que comprometeram a safra do feijão e levaram ao reajuste do preço do tipo carioca em 18,54% e do feijão preto em 6,82%.
A inflação acumulada do ano também refletiu os aumentos dos preços administrados, com destaque para os reajustes no período da energia elétrica (14,9%), gás de cozinha (38,26%), telefone fixo (11,54%) e ônibus urbanos (5,88%). Segundo Eulina, em agosto o impacto desses produtos estará restritos a resíduos dos aumentos de energia e gás, aos reajustes definidos pelos Correios e ao aumento na taxa de água e esgoto em São Paulo.

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