Inflação de 0,39% é a mais baixa em 12 meses
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quinta-feira, 28 de outubro de 2004
Alessandra Saraiva<br> Agência Estado 
Rio O Índice Geral de Preços de Mercado (IGPM) caiu para 0,39% em outubro, o menor resultado em 12 meses. Em setembro, a taxa havia sido de 0,69%. A queda intensa de preços dos produtos agrícolas no atacado (de -0,41% para -1,98%) impulsionou o resultado. Além disso, a inflação no varejo teve em outubro o menor nível em quatro anos, também refletindo a boa safra e, consequentemente, a excelente oferta de hortaliças e legumes, cujos preços despencaram em outubro (-12,16%).
''Nem a Suíça ou os Estados Unidos têm uma inflação mensal tão baixa no varejo como a nossa de outubro'', disse o coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros. Diante do resultado, ele reiterou a confiança de o governo cumprir a meta inflacionária de 2004, de 5,5% ao ano, com viés de 2,5 pontos percentuais para cima ou para baixo.
No ano, a inflação medida pelo IGP-M acumula alta de 10,69% e, em 12 meses, de 11,91%. A coleta de preços para o indicador de outubro foi do dia 21 de setembro a 20 de outubro. Segundo Quadros, a queda de preços nos produtos agrícolas no período foi a mais intensa no ano, e permitiu que o Índice de Preços por Atacado (IPA), que representa 60% do IGP-M, recuasse para 0,44% em outubro, em relação ao aumento de 0,90% em setembro. Entre os agrícolas, houve quedas de peso nos preços de Legumes e Frutas (-7,32%); Animais e Derivados (-1,42%) e Lavouras para Exportação (-4,20%).
Além dos agrícolas, os preços dos produtos industriais no atacado também caíram, mas em menor intensidade (de 1,38% para 1,31%). O economista explicou que o recuo nos preços industriais no atacado poderia ter sido mais forte se não fosse a aceleração de preços, de setembro para outubro, no setor de Ferro Aço e Derivados (de 3,41% para 5,37%). Quadros explica que eram esperados reajustes no preço do aço, pelo mercado interno, durante o mês de outubro, na tentativa de acompanhar o nível de preço internacional do setor. ''Mas isso acabou? Parece que não. Alguns analistas, pelo que eu tenho lido (na imprensa), ainda acreditam em reajustes para o mês que vem'', disse.
Já no varejo, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que representa 30% do IGP-M, caiu para 0,05%, ante aumento de 0,15% em setembro, puxado pelo recuo de preços no grupo Alimentação (de -0,43% para -0,88%). O analista classificou a taxa do IPC de outubro como ''anormal'' e não acredita que uma variação tão pequena vá se repetir novamente. ''Esse indicador tão baixo foi provocado por algo pontual, que foi a queda intensa dos preços de Hortaliças e Legumes'', explicou.
Já o Índice Nacional do Custo da Construção (INCC), que representa apenas 10% na formação do IGP-M, foi o único dos três indicadores que formam o índice inflacionário a apresentar aceleração de preços de setembro para outubro, passando de alta de 0,67% para aumento de 0,95%.


