Inflação da terceira idade sobe 4,16% no 1º trimestre
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segunda-feira, 13 de abril de 2015
Andréa Bertoldi<br> Reportagem Local 
O Índice de Preços ao Consumidor da Terceira Idade (IPC-3i) divulgado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) encerrou os três primeiros meses do ano com alta de 4,16%, percentual bem acima do aumento de 2,02% que ocorreu no quarto trimestre de 2014. O indicador mede a inflação percebida pela população com mais de 60 anos de idade. O índice ficou acima da inflação oficial do País o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) que fechou o primeiro trimestre em 3,83%. Os itens que mais pesaram para os idosos foram habitação e transportes.
O resultado do IPC-3i também ficou acima do resultado observado nos primeiros três meses do ano passado (2,30%). Em 12 meses até março de 2015, o IPC-3i acelerou a 8,56% contra a alta de 8,13% do IPCA.
O professor do curso de Economia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Marcelo Curado, explicou que cada índice de inflação traz um valor porque é composto por uma cesta de bens diferente. Para ele, os produtos e serviços que têm peso maior na terceira idade subiram mais. "De qualquer forma, o IPC-3i é mais uma evidência que a inflação está bastante alta. Os rendimentos da terceira idade não acompanham a inflação e estão com perda real de poder de compra", disse. Ele lembrou ainda que, no Brasil, há uma boa parte das famílias que dependem da renda da terceira idade. "É um cenário não muito bom para a qualidade de vida da terceira idade", disse.
A principal alta foi do grupo Habitação (1,94% para 6,88%). Segundo a FGV, as tarifas de eletricidade residencial ficaram 35,11% mais caras, uma taxa bem maior do que o aumento de 6,77% observado no último trimestre do ano passado. Pagar o condomínio também ficou mais oneroso, diante do aumento de 8,92% no período. Para Curado, a alta do condomínio tem a ver com o aumento dos preços dos serviços e da mão de obra de profissionais como porteiros, zeladores e faxineiras.
Contribuíram também para a aceleração do índice os grupos Transportes (1,96% para 4,98%), Alimentação (2,92% para 4,31%), Despesas Diversas (0,56% para 3,65%) e Saúde e Cuidados Pessoais (1,47% para 1,59%). Para cada uma destas classes de despesa, destacam-se os itens gasolina (1,76% para 9,85%), hortaliças e legumes (21,36% para 26,38%), cigarros (-0,11% para 5,82%) e médico (1,72% para 3,57%), respectivamente.
O professor de Economia da UFPR, João Basílio Pereira, lembrou que, para os idosos, têm peso maior itens como remédios e planos de saúde. No entanto, ele acredita que, no longo prazo, os diversos índices de inflação devem se equilibrar.
Ainda no IPC-3i, tiveram recuo no trimestre os grupos Vestuário (2,16% para -0,64%), Educação, Leitura e Recreação (2,94% para 2,10%) e Comunicação (0,85% para 0,38%). O IPC-3i representa o cenário de preços sentido em famílias com pelo menos 50% dos indivíduos de 60 anos ou mais de idade e renda mensal entre 1 e 33 salários mínimos.
Pereira acredita que tanto o IPC-3i como a inflação de um modo geral devem continuar em alta até a metade do ano em função dos aumentos da energia elétrica (um em março e outro previsto para junho) e do combustível. Ele prevê que, depois do primeiro semestre, a inflação deve começar a desacelerar. No entanto, prevê que o saldo disso é preocupante no médio e longo prazos, provocando perda de renda da população de uma forma geral. Para ele, o País vive, no momento, um cenário muito negativo com a combinação de inflação, com recessão, aumento do desemprego e elevação de impostos. Curado prevê que tanto a inflação dos idosos como os outros índices devem continuar em alta nos próximos meses.


