Inflação da AL pode ficar em um dígito pela 1ª vez
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sexta-feira, 12 de junho de 1998
Agência Estado 
A América Latina terá este ano, talvez pela primeira vez em sua história, uma taxa regional de inflação de um dígito. A previsão é do colombiano José Antonio Ocampo, secretário executivo da Comissão Econômica para a América Latina e Caribe (Cepal). Com exceção do Paraguai, os comportamentos inflacionários de maio mostraram melhorias para quase todos os países, incluindo aqueles como o Equador, que terminaram abril com números bem menos animadores.
A consolidação do processo antiinflacionário será um dos sinais mais positivos da economia latino-americana deste ano, segundo Ocampo. A crise asiática (leia na página 1) terá efeitos na região, que se traduzirá em um menor crescimento do produto, mas não haverá recessão. A América Latina e Caribe tiveram no último ano uma taxa ponderada de inflação de 11%, calculada sobre a base dos índices de preços por países e sua relação com o número de habitantes da região.
Sob esse prisma, as inflações anualizadas que mostram o Equador, de 33%, ou Venezuela, de 39%, terão uma influência muito relativa na taxa regional e serão contra-atacadas pelo bom desempenho dos países mais populosos. O Brasil continua, segundo a Cepal, com uma inflação declinante. Já viraram hábitos índices inferiores a 0,5%, diz Ocampo. O índice de preços do Brasil, que no último ano foi de 7,9%, diminuirá este ano, de acordo com a tendência do período janeiro-maio, a 4,5% e será um fator importante para a taxa ponderada regional de menos de 10%.
O México, por sua vez, se encaminha para uma baixa moderada, que em 97 marcou uma alta de 15,7% e que este ano assinala para 14,9%, segundo desempenho registrado no final do mês passado. Na Argentina, a inflação mostra um controle que tem sido rotineiro, com taxas permanentemente baixas. A tendência anual de maio ficou em 1,2%, acima da inflação de 0,3% de 1997, mas sem conotações preocupantes, nas contas da Cepal.
Em outro extremo, a Venezuela teve em maio a taxa mensal mais alta, de 3,2%, mas - como consolo - foi menor que a anterior, de 3,4% (abril), ainda que a tendência anual marque um índice preocupante de 39,7%. O Equador, que em abril teve uma taxa de 4,4%, conseguiu em maio reduzí-la para 1,8%, para situar a tendência anualizada em 33,9%, no que é a segunda inflação mais alta, depois da Venezuela.
Outros países com comportamentos críticos este ano são Paraguai, que em maio teve uma inflação de 2,7%, para completar uma taxa anual de 11,7%, que quase duplica o IPC do ano passado, que ficou em 6,2%. Em 97, o Paraguai teve três meses consecutivos de deflação, o que fez surgir temores de recessão que agora se renovam, em um cenário em que os preços tendem a subir mais, em consequência do impacto do fenômeno El Ni¤o na agricultura. A economia paraguaia registrou no último ano uma taxa de crescimento de 2,5%, e este ano deveria diminuir, como se prevê que deve ocorrer em toda a América Latina e Caribe em função da crise asiática. O PIB cresceu 5,3% em 97, no que foi o segundo ano mais produtivo da década, após a taxa de 5,4% em 94, e se prevê que este ano o crescimento estará entre 3% e 4%.
Ocampo antecipa que em nenhum caso a crise asiática terá impacto semelhante ao da crise mexicana no final de 94, que no ano seguinte arrastou toda a região para um crescimento do PIB de 0,2%. Este ano haverá esforços para impedir que a febre amarela se traduza em um contágio recessivo na América Latina e um dos bons sintomas a respeito, segundo a Cepal, é a evolução das políticas antiinflacionárias.


