Inflação crônica não ameaça mais o País, diz Gustavo Loyola
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sexta-feira, 01 de agosto de 1997
Agência Folha Rio de Janeiro 
Arquivo FolhaBalança em equilíbrioO presidente demissionário do BC, Gustavo Loyola: Déficit tem tendência clara de estabilizaçãoO presidente demissionário do BC (Banco Central), Gustavo Loyola, disse ontem, em palestra de despedida do mercado financeiro, no Rio, que deixa o governo em um momento em que a inflação crônica não é mais uma ameaça para o Brasil. Segundo Loyola, a desindexação (fim das correções de preços com base na inflação passada) feita na economia do País solidificou o processo de redução da inflação que estaria hoje em padrões normais, ainda que altos.
De agora em diante, pelo ponto de vista de Loyola, basta o uso dos instrumentos clássicos de política monetária (controle interno da moeda), política cambial (controle externo da moeda) e política fiscal (controle das contas públicas) para se manter e aprofundar a estabilidade. Em relação à política cambial, a mais controvertida do atual governo, Loyola disse que ela tem flexibilidade, da mesma forma que toda a política econômica do governo, e que ela é a melhor possível para a situação atual. No momento, a política é adequada, não há intenção de mudar nem motivo algum para mudar.
Ao ser informado que a déficit da balança comercial (exportações menos importações) pode ter chegado a US$ 800 milhões em julho, Loyola disse que esse número não pode ser extrapolado para o resto do ano e que há uma tendência clara à estabilização do déficit, graças ao crescimento das exportações.
Das três políticas clássicas de controle da inflação, Loyola disse que a mais preocupante é a fiscal, especialmente por causa da previdência social. Para Loyola, o atual sistema previdenciário inviabiliza o controle dos gastos públicos.
Gustavo Loyola disse que seu principal trabalho durante a gestão no BC foi administrar a crise bancária, marcada pelos episódios das quebras dos bancos Econômico e Nacional, incorporados, respectivamente, pelo Excel e pelo Unibanco. Ele afirmou que a estratégia usada pelo governo para enfrentar a crise, possibilitando a transferência do controle e a continuidade operacional do banco atingido, foi uma decisão acertada.


