Inflação continuará em nível desconfortável este ano
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terça-feira, 04 de fevereiro de 2014
Gabriela Lara<br>Agência Estado 
São Paulo - A alta de 0,99% do Índice de Preços ao Consumidor - Semanal (IPC-S) em janeiro reforça a percepção de que a inflação em 2014 vai se manter em um nível "que não está bom", pressionada principalmente pela variação de preços dos serviços. Esta á avaliação do coordenador do indicador, o economista Paulo Picchetti, da Fundação Getúlio Vargas.
O avanço do IPC-S em janeiro de 2014 ficou levemente abaixo da elevação de 1,01% registrada no mesmo mês do ano passado. No entanto, mais do que o número em si, Picchetti destaca diferenças na composição da inflação, como a aceleração dos preços dos serviços administrados, que em 2013 foi freada pelas desonerações praticadas pelo governo.
Enquanto na última quadrissemana de janeiro de 2013 os preços da cesta de serviços administrados do IPC-S estavam em queda de 0,78%, no mesmo período deste ano o grupo registra alta de 0,57%. "E essa alta é uma tendência para 2014, porque acabou o espaço para o governo dar mais subsídios de tarifa e isenção de impostos", afirma.
Ele lembra que o avanço do IPC-S em janeiro só não foi maior por causa da pressão negativa exercida pelo grupo Alimentação, que subiu 0,93% na última quadrissemana do mês. No mesmo período do ano passado, o avanço havia sido de 2,18%. O alívio, causado principalmente pelos alimentos in natura, limitou a aceleração do índice.
Picchetti também ressalta a piora do núcleo do IPC-S, que passou de 0,58% em janeiro de 2013 para 0,63% em janeiro de 2014. "É outro indicador mostrando um começo de ano mais aquecido. Podemos dizer que houve uma piora no perfil da inflação."
A previsão da FGV para o IPC-S deste ano é de 5,90%. "O indicador continuará flertando com 6% de inflação, e pelo quinto ano seguido ficará bem acima do centro meta do Banco Central, de 4,5%. Isso não é bom."
Sem manobra
Pichhetti acredita que não há "margem de manobra" para mudar esse quadro de pressão inflacionária no curto prazo. "A principal fonte de pressão é o setor de serviços, que não reage tanto ao aumento da taxa de juros", afirma. "Apertar o lado fiscal poderia ajudar. Talvez um ajuste forte conseguisse reverter as expectativas com relação à inflação. Mas, em ano de Copa e eleições, não pode se esperar muito nesse sentido."
Nos últimos 12 meses encerrados em janeiro, o IPC-S acumula aceleração de 5,61%, sendo que as três maiores influências de alta neste período vêm do setor de serviços: refeição em bares e restaurantes (contribui com 0,61%), aluguel (com 0,41%) e planos e seguro saúde (com 0,29%).



