Não é tarefa fácil avaliar os 10 anos do Real. Ainda assim, a conclusão do debate promovido pela Folha é de que, mesmo sendo o desemprego um preço alto a ser pago, o Brasil não tinha outros meios para a reduzir a inflação e obter controle orçamentário, metas imprescindíveis na retomada da credibilidade do País no exterior, na opinião do ex-ministro José Eduardo Vieira.
''O saldo é positivo. A necessidade de romper o processo inflacionário era evidente'', afirma o professor Flávio Oliveira. Esse controle é considerado o mais bem-sussedido objetivo do Real. Na opinião dos analistas, redistribuição de renda e controle orçamentário foram deixados em segundo plano.
''O que aconteceu foi justamente o inverso: nunca a concentração de renda foi tão grande quanto nos 10 últimos anos'', acredita Junker Grassiotto. Segundo o presidente do Sindicato dos Bancários, Geraldo Santos, parte da concentração justifica-se com o procedimento adotado pelos bancos. ''Enquanto taxas de serviços subiram 378% desde 1994, o salário dos funcionários dos mesmos bancos teve acréscimo de 32%. Isso é concentração de renda'', frisa.
Apesar de o orçamento da União ter voltado ao azul, a aplicação dos recursos tem sido desastrosa, avaliaram os analistas. ''O Brasil voltou a arrecadar mais do que gasta. Mas continua gastando da forma errada, ou mesmo nem gasta, quando esse dinheiro é desviado graças à corrupção'', frisa Vieira.
Como formas de apoio aos benefícios alcançados com o plano, Vieira sugere o estabelecimento de políticas para a proteção da indústria nacional. ''Esses benefícios atuais podem não ser duradouros. E não é preciso ter dinheiro para se tomar decisões. O governo sabe quem são os agentes que regulam o mercado e a partir daí, a interferência política é viável'', conclui.(A.M.)

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