Rio de Janeiro O fim do efeito da quebra de safra de produtos agrícolas, a redução de combustíveis e a menor pressão de reajustes tarifários causaram um recuo na inflação de outubro. Depois de um 'soluço' em setembro, o IGP-M (Índice Geral de Preços de Mercado) do mês atingiu 0,38%, mesma taxa de agosto. Em setembro, o índice subira 1,18%, de acordo com a FGV (Fundação Getúlio Vargas).
Para o coordenador de análises econômicas da FGV, Salomão Quadros, os preços vivem uma situação de normalidade, sem fortes oscilações, comportamento que deve continuar até o fim do ano. ''Para 2004, a tendência é de redução clara da inflação'', disse. Isto porque os reajustes de tarifas, indexados pelos índices gerais de preços da FGV, subirão menos em relação a 2003.
Os preços no atacado, medidos pelo IPA (Índice de Preços do Atacado), apresentaram forte desaceleração. Passaram de 1,54% em setembro para 0,36% em outubro. Os preços agrícolas no atacado, que haviam subido 4,42% no mês passado, reduziram sua inflação para 1,87%. Já os produtos industriais registraram deflação de 0,23% devido à queda de preços de alguns combustíveis da Petrobras e do álcool etílico hidratado. Em setembro, os industriais apresentaram inflação de 0,44%.
De acordo com Quadros, a indústria em geral não vive uma situação de deflação. Houve um efeito do grupo combustíveis e lubrificantes, cuja deflação chegou a 2,16%. Os preços do varejo também subiram menos em outubro com o menor aumento dos alimentos e a menor presença de reajustes de tarifas e preços administrados pelo governo. Os alimentos passaram de 0,54% para 0,12%, de setembro para outubro. Entretanto, entre as maiores pressões de preço no varejo destacam-se a telefonia fixa (1,79%), a taxa de água e esgoto (2,77%) e o frango (9,66%). Os preços foram coletados de 21 de setembro a 20 de outubro.

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