Inflação cai, mas em ritmo lento
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sexta-feira, 23 de maio de 2003
Rosana Félix<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A inflação ao consumidor continua baixando, mas ainda num ritmo lento. É o que revela o Índice de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15), divulgado ontem, que apontou uma taxa de 0,85% em maio. O índice é 0,29 ponto percentual menor do que o 1,14% registrado em abril, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em Curitiba, a redução foi maior: caiu de 1,23% para 0,13%, a menor taxa entre 11 capitais pesquisadas pelo instituto.
A taxa nacional mostra variação de 0,64% em alimentos e bebidas; 2,59% em habitação; 0,59% para artigos de residência; 0,98% em vestuário; 0,41% em transporte; 0,83% para saúde e cuidados pessoais; 0,06% em despesas pessoais; 0,26% em educação; e 0,12% em comunicação. Os alimentos apresentaram diminuição no ritmo de crescimento de preços em comparação ao índice anterior. Já o álcool e a gasolina tiveram uma queda maior do que a registrada anteriormente. A retração no valor da gasolina passou de -0,63% para -1,71% e a do álcool, de -1,31% para -2,83%. O gás de cozinha continuou apresentando alta (1,94%), mas inferior ao aumento anterior (4,08%).
Em Curitiba, houve reduções mais expressivas. O grupo de alimentos e bebidas teve queda de 0,34% e o de transportes, 0,69%. Contribuíram para isso as reduções de hortaliças e verduras (-18,42%); tubérculos, raízes e legumes (-12,06%); frutas (-11,99%) e as quedas na tarifa de ônibus urbano (-0,59%); gasolina (-2,52%) e álcool (-4,18%). O grupo de habitação teve variação de 1%; artigos de residência, 0,86%; saúde e cuidados pessoais, 0,67%; despesas pessoais, 0,14%; e educação, 0,11%. Não houve variação no grupo de comunicação. Já o vestuário subiu 1,57%, mais do que a média nacional.
Apesar de o IBGE destacar o resultado do recuo da inflação de um mês para o outro, economistas não consideram a desaceleração como positiva. Para o economista-chefe do Banco Boreal, Elson Telles, o resultado mostra que os aumentos de preços ainda estão muito generalizados, e que os preços têm resistência muito intensa à queda.
Na avaliação do analista, o Banco Central (BC) sabe disso e tomou a decisão certa ao decidir pela manutenção da Selic em 26,5% ao ano. Parece que a queda de preços está mais lenta do que o esperado. Apesar de todos os sinais de atividade econômica fraca, a inércia inflacionária existe e é muito forte. O BC tem que quebrar esta inércia, disse.
O economista e ex-diretor do BC, Carlos Thadeu de Freitas, considera que o Comitê de Política Monetária (Copom), poderia ao menos afrouxar os compulsórios, já que decidiu pela manutenção dos juros. Ele também não acredita em bons resultados dos índices inflacionários ainda no primeiro semestre. A inércia inflacionária continua alta e afetando os índices.
Embora as perspectivas sejam negativas a curto prazo, Freitas informou que espera queda mais expressiva da inflação no segundo semestre. Ainda pode haver redução no preço da gasolina; o gás de cozinha também dá mostras de que terá seu preço reduzido.
Para o economista e professor da PUC-Rio, Luiz Roberto Cunha, o IPCA-15 também foi um pouco acima do esperado. Eu esperava uma queda mais acentuada, e acho que o mercado também, disse, acrescentando que sua estimativa era em torno de 0,75%.
Ele concorda com Telles, de que trajetória de queda nos preços não está ocorrendo na velocidade esperada pelo mercado. O economista observou que o resultado do IPCA-15 conduzirá a uma revisão das previsões de mercado para o IPCA fechado do mês, estimado entre 0,4% e 0,5%. Há uma inércia forte ainda e o mercado levará isso em consideração, afirmou. (Com AE)


