Inflação bate em 2% e pressiona juros na União Européia
Tony Barber Graham
do Financial Times
Dados franceses e alemães, divulgados nesta semana, tornam mais provável o aumento dos juros na zona do euro. O Banco Central Europeu pode decidir elevar as taxas baseando-se no aumento de preços ao consumidor e na aceleração do PIB (Produto Interno Bruto) da economia européia. O Reino Unido, que é membro da União Européia mas que não pertence à economia do euro, decidiu ontem elevar em 0,25% suas taxas básicas de juros.
Os preços ao consumidor na França, a segunda maior economia da zona do euro, aumentaram 0,4% em dezembro em relação ao mês anterior, segundo divulgou o Insee (Instituto Nacional de Estatísticas Francês). Os economistas dizem que o aumento empurra a taxa de inflação anual na zona do euro de 1,6%, medida em novembro, para 1,8% em dezembro. Com isso, a estimativa é que a inflação da região atinja os 2% ainda este mês.
Em várias declarações feitas à imprensa, Wim Duisenberg, presidente do Banco Central Europeu, afirmou que ele considerava 2% como um teto máximo para a inflação anual na zona do euro. Os economistas acreditam que o desejo da instituição de reafirmar seu papel no combate à inflação pode causar um aumento nos juros no dia 2 de março, quando acontecerá a próxima reunião da entidade.
O BCE reconheceu que a inflação está crescendo devido às dispendiosas importações de petróleo. Na França, o petróleo e seus derivados tiveram alta de preços de 5,2% em dezembro, de acordo com o Insee. O único outro aumento considerável foi o dos alimentos frescos, que tiveram alta de 1,7% em dezembro ante o mês anterior. Ele reflete a queda na produção do sudoeste francês, que sofre com inundações.
No entanto, o BCE está preocupado com a possibilidade de que as iminentes negociações salariais coletivas européias causem pressão de alta nos preços.
Isso se aplica especialmente à Alemanha, onde o IG Metall o maior sindicato do País está exigindo um aumento salarial de 5,5% para os metalúrgicos.
Com as renovadas provas de aceleração no crescimento da Alemanha, os sindicatos vão pressionar para garantir benefícios às suas classes. O argumento do crescimento alemão é um bom candidato para justificar o provável aumento das taxas de juros na zona do euro.Números oficiais publicados na quarta-feira demonstram que o crescimento alemão foi de apenas 1,4% em 1999, o segundo pior resultado entre os 11 países da zona do euro.





