Inflação baixa desafia bancos brasileiros
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sexta-feira, 20 de junho de 1997
Agência Estado São Paulo 
Depois de aumentar seu patrimônio em 397% em dólar no período 89/96, embalado pelos ganhos inflacionários, o sistema financeiro brasileiro já dá sinais de dificuldades para adaptar-se ao ambiente de economia estável. A constatação é da Austin Asis, empresa especializada em risco e análise de balanços, que fundamenta suas avaliações em uma amostragem de 199 bancos. Os bancos estão diminuindo receita e não conseguem, o que é pior, controlar os custos administrativos e de pessoal, afirma o analista Erivelto Rodrigues, sócio diretor da Austin.
A comparação entre os balanços dos mesmos 199 bancos no período de dezembro de 94 a dezembro de 96 revela que a evolução patrimonial foi de apenas 20%, passando de US$ 35 bilhões para US$ 42 bilhões. No período 89/96, o patrimônio saltou de US$ 10,5 bilhões para US$ 42 bilhões. Para Rodrigues, a tendência é mesmo de reversão na escalada de ganhos dos bancos, circunstância que afeta principalmente os de capital nacional, mas eles chegam a esta fase bastante capitalizados e, por isso, em condições favoráveis para negociar o controle com as instituições estrangeiras que demonstram interesse crescente pelo mercado brasileiro.
Outro aspecto importante observado por Rodrigues é que as fusões realizadas até agora entre bancos nacionais não conseguiu reduzir as despesas totais das instituições envolvidas. O índice de custo operacional por ativo não revelou queda, por exemplo, no caso de incorporação do Nacional pelo Unibanco. O custo de pessoal subiu de 3,2% para 4,6% entre 1995 e 1996, enquanto as despesas administrativas passaram de 3,6% para 5,9% no mesmo período, de acordo com a Austin. Os bancos estão vivendo, agora, o estranho fenômeno de ter de devolver o dinheiro que foi acumulado em seus caixas no período de inflação na forma de empréstimos ao público, uma atividade bem mais arriscada que gerir o caixa em aplicações financeiras.
Eles também trabalhavam com risco, mas isso era compensado pelas receitas inflacionárias, diz Rodrigues. Agora, essa receita sumiu, o aumento das tarifas tem limite e a inadimplência aumenta. O presidente em exercício da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), Eduardo da Rocha Azevedo, acrescenta que o setor bancário ainda é dominado por famílias e suas ações têm um preço muito baixo em relação ao valor patrimonial. A conjuntura que vivemos abre a perspectiva de profissionalização ou transferência de controle de vários bancos, o que permite uma valorização dessas ações, que estão baratas, afirma.
Rocha Azevedo lembra que o ajuste do setor financeiro, com sua abertura ao capital estrangeiro, não pode ser encarado negativamente, pois os ganhos para a eficiência da economia brasileira são benéficos por reduzir custos operacionais para a sociedade. Com uma estrutura mais eficiente e produtiva, é óbvio que os bancos serão melhores e mais lucrativos, afirma. Bancos pequenos não cabem mais e os familiares ou vão se fundir ou serão vendidos.


