Inflação baixa beneficia consumidor no fim do ano
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quinta-feira, 19 de outubro de 2006
Agência Brasil 
Rio de Janeiro - A perspectiva de inflação mais baixa do que a do ano passado (5,69% no Índice de Preços ao Consumidor Amplo), inferior, inclusive, à meta fixada pelo Banco Central para 2006 (4,5%) vai favorecer o consumidor na compra de produtos de fim de ano, principalmente, com a influência da entrada de produtos importados no mercado.
A avaliação é do diretor do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Clemente Ganz Lúcio. Ele informou que setores com alto consumo na época do Natal, como vestuário e brinquedos, são muito influenciados pela importação, neste caso, de produtos que chegam no Brasil com preços muito baratos.
A tendência é que esses produtos forcem para que os preços estejam pressionados para baixo para que haja capacidade de venda do produto no mercado interno. Os setores vão reclamar, que está havendo concorrência, mas o consumidor vai se beneficiar de preços mais competitivos, com expectativa, também, de uma boa ceia de Natal, disse em entrevista à Agência Brasil.
O diretor ressaltou, no entanto, que existe outra questão a ser analisada neste caso, porque se o consumidor se beneficia não é o que acontece com os trabalhadores. Isso significa que estamos exportando empregos, ou seja, deixamos de produzir internamente a preços competitivos, afirmou.
Segundo Lúcio, ao importar o país deixa de criar empregos. ''Esse é um problema que afeta o outro lado, ou seja, teremos menos trabalhadores com renda para comprar, o que aconteceria se tivéssemos mais empregos gerados na economia. Quando a importação é deste tipo e não complementa a nossa pauta de produtos, porque não produzimos tudo, isso acaba eliminando empregos aqui no Brasil, analisou.
Lúcio acrescentou que não é só o valor baixo do dólar que interfere no setor. Segundo ele, se compararmos com a produção de brinquedos ou de vestuário de países como a China ou a Índia, que produzem com preços muito inferiores aos nossos, porque pagam salários muito piores, em condições de trabalho aviltantes, os preços são extremamente inferiores aos nossos.


