Inflação baixa ajuda renda de trabalhadores
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sexta-feira, 13 de outubro de 2006
Alessandra Saraiva 
Rio de Janeiro- As baixas taxas de inflação estão beneficiando o rendimento dos trabalhadores na indústria, que cresceu em agosto em todas as bases de comparação, segundo apurou pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O valor da folha de pagamento na indústria subiu 1,1% ante julho e 0,8% ante agosto do ano passado. No saldo acumulado, o cenário é também positivo: alta de 0,7% nos primeiros oito meses do ano e de 1,2% em 12 meses até agosto.
Para a técnica do IBGE Denise Cordovil, as taxas de inflação em patamares baixos conduziram a um aumento significativo no poder aquisitivo do trabalhador da indústria. ''Nesse período, o trabalhador teve uma renda maior'', ressaltou. Por outro lado, com a produção industrial apenas em lenta recuperação, o emprego ainda não acertou o passo e não conquistou mais do que a estabilidade no mês, com queda de 0,1% na comparação com julho.
Na relação com agosto do ano passado, o saldo também foi muito próximo a zero, com crescimento de 0,2% na ocupação. Denise Cordovil comentou que os dados de média móvel trimestral - a comparação de um trimestre com o imediatamente anterior -, considerados o principal indicador de tendência, também ficaram estáveis em agosto e julho. ''A produção industrial está em um movimento de recuperação modesta, no segundo semestre. Há um crescimento mais suave. E o emprego responde a isso, mas com certa defasagem. Essa lenta recuperação na produção industrial não piorou nem melhorou (o emprego industrial)'', afirmou a economista.
Para ela, o emprego só voltará a registrar taxas de elevação significativas quando a produção industrial apresentar crescimento mais sustentável. ''Assim, os empresários ficam confiantes com os rumos futuros e aumentam as contratações'', comentou. ''Mas o que a gente observa agora é que, no que se refere mercado de trabalho industrial, não houve uma resposta robusta'', afirmou.
Para o analista da consultoria Tendências, Guilherme Maia, a criação de vagas no setor tende a crescer. Ele considerou que o ajuste de estoques foi um dos motivos pelos quais a dinâmica industrial tem sido mais modesta nesses últimos meses. ''Por outro lado, já se observam sinais de enfraquecimento do ajuste de estoques e aceleração de investimentos em relação a 2005, enquanto a demanda interna continua forte. Do ponto de vista agregado, o resultado líquido deve ser um crescimento maior do pessoal ocupado nos próximos meses'', afirmou.
No acumulado do ano, os resultados de emprego industrial continuam negativos, com queda idêntica, de 0,4%, tanto no período dos primeiros oito meses do ano quanto em 12 meses até agosto.


