Rio - Depois de ser prematuramente dada como morta nos anos 90, em suposta conseqüência da globalização e dos avanços da informática e da internet, a inflação global voltou em grande estilo, e tornou-se a principal preocupação das autoridades econômicas em todo o mundo. Segundo dados do Fundo Monetário Internacional (FMI), a inflação global subiu de 3,5% em 2006 para 4,8% em 2007.
  A alta da inflação está levando a medidas há muito tempo fora do receituário, como os congelamentos de itens alimentares recentemente anunciados no México e no Uruguai. Proibição ou limitação de exportação de produtos agrícolas também foram postos em prática por vários países.
  A principal causa apontada para a alta global da inflação é a velocidade do crescimento mundial nos últimos anos, especialmente nos países emergentes. Segundo os dados do FMI, o mundo cresceu 5% em 2006 e 4,9% no ano passado, bem acima da média de 3,3% de 1980 até 2007.
  Um problema adicional é que uma parcela crescente dessa expansão se dá em países como a China e a Índia, que crescem em ritmos de, respectivamente, 10,6% e 8,8% (nos 12 meses até o primeiro trimestre de 2008), e têm massas gigantescas de habitantes saindo da pobreza. Essas pessoas ainda estão no nível em que o aumento da renda amplia o consumo de comida, o que ajuda a explicar por que as commodities alimentícias dispararam no mundo.
  Embora normalmente a oferta de alimentos tenha capacidade de seguir a demanda num prazo relativamente curto, a velocidade estonteante da primeira aliada a fatores naturais, levaram à alta dos preços, que pode estar sendo ainda mais estimulada por movimentos especulativos em mercados futuros. Outro fator é a utilização crescente de terras para a produção de biocombustíveis, como no caso do milho americano ou da cana brasileira.
  Em relação ao petróleo e às commodities minerais, que também dispararam, os motivos principais são o consumo crescente de energia, na esteira da decolagem dos emergentes, e o boom global de investimentos em infra-estrutura, que está pressionando os insumos e os salários em todos os setores envolvidos. Esse boom deriva em boa parte do fato de que países emergentes crescendo velozmente têm quase tudo pela frente para construir em termos de energia, transportes, saneamento, telecomunicações, etc.

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