Inflação atinge menor taxa em dez meses
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sexta-feira, 08 de julho de 2016
Mie Francine Chiba<br>Reportagem Local 


A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou junho com alta de 0,35%, ante uma variação de 0,78% em maio, informou ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado ficou dentro do intervalo das estimativas dos analistas ouvidos pelo Broadcast Projeções, que iam de uma taxa de 0,32% a 0,44%, com mediana de 0,37%.
A inflação de 0,35%, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em junho, foi a menor taxa mensal registrada desde agosto de 2015, quando o indicador ficou em 0,22%. Como resultado, a taxa acumulada no ano foi de 4,42%. Nos 12 meses encerrados em junho, o IPCA acumula alta de 8,84%, ainda muito acima do teto da meta estipulada pelo governo, de 6,5%.
Houve desaceleração generalizada nos preços dos produtos consumidos no País. Sete dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados pelo instituto apresentaram taxa mais baixa em junho em relação a maio. Os únicos grupos que registraram taxas maiores foram Transportes (que saiu de uma queda de 0,58% em maio para uma redução menor, de -0,53% em junho), e Comunicação (que passou de 0,01% para 0,04% no período), informou o IBGE.
O destaque positivo coube à habitação - que inclui aluguel e taxas de luz, gás e água -, que registrou inflação de 0,63% em junho, após ter subido 1,79% no mês anterior. A taxa de água e esgoto, que havia subido 10,37% em maio, teve alta muito menor, de 2,64% em junho. Embora tenha desacelerado, o nível do indicador continua alto, motivado principalmente por reajustes nas contas de água em Salvador, Brasília, Belo Horizonte e São Paulo. O indicador mostrou que houve alívio nos preços administrados - aqueles que são controlados por governos - e também nos alimentos, que, embora resistam a cair, registraram desaceleração.
Alimentos
A alimentação, que tem pesado no bolso do consumidor nos últimos meses, desacelerou pouco - de 0,78% em maio para 0,71% em junho, com um impacto positivo de 0,18 ponto porcentual sobre a inflação. Apenas dois produtos alimentícios foram responsáveis por 60% da inflação de junho, informou o IBGE. O quilo do feijão carioca ficou 41,78% mais caro em junho, uma contribuição de 0,11 ponto porcentual para a taxa de 0,35% apurada pelo IPCA no mês. Já o litro do leite longa vida aumentou 10,16%, um impacto de 0,10 ponto porcentual.
E feijão e leite não podem faltar na mesa do consumidor brasileiro. "Não dá para ficar sem comer feijão. Agora, quando a gente faz, (por causa do preço) come com mais gosto", diz a aposentada Ana Maria Ribas Lopes, que também é consumidora voraz de leite. "Subiu, mas não posso ficar sem." A saída, como diz a bibliotecária Isabel Silva, é optar pelo feijão preto, cujo preço teve uma elevação menor (de 9,80% o quilo). "Também ver se tem promoção em algum lugar." Outra alternativa é diminuir o consumo dos alimentos com grande aumento dos preços, como fez a aposentada Rita Soares, que foi ao mercado em busca de leite mas desistiu da compra. "Ainda tenho um em casa. Vou consumir menos."
Transportes
O segmento de transportes foi o único que apresentou deflação, que é a queda de preço. A redução em junho, no entanto, foi menos intensa em relação a maio. Os transportes, grupo que inclui passagens aéreas e combustíveis, caíram 0,53%, abaixo da queda de 0,58% de maio. A gasolina teve queda de 1,22%. O automóvel novo apresentou redução de preço de 0,90%. A passagem aérea caiu 4,56%. (Com agências)


