A aceleração do Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) de março foi puxada especialmente pelo avanço mais intenso do que o esperado dos preços agrícolas no atacado. De acordo com os analistas ouvidos, a inflação ao produtor agropecuário, que teve variação expressiva de 6,16% em março, depois de 0,61% em fevereiro, sentiu com mais força os efeitos do clima adverso no País. A despeito da influência, muitos profissionais acreditam que este pode ter sido o pico de alta do Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) Agropecuário, um dos que compõem o IGP-M.
Para o economista-chefe do Banco ABC Brasil, Luis Otávio de Souza Leal, o que surpreende no IGP-M é a alta expressiva do IPA Agropecuário em um único mês. Ele ressalta que, de fevereiro para março, os preços agrícolas ao produtor aceleraram 1,29 ponto porcentual. "O número em si já é elevado, mas se torna ainda mais impressionante quando comparamos com a inflação de fevereiro", analisou, acrescentando que previa taxa de 5,80% para o IPA Agropecuário e IGP-M de 1,49%.
De acordo com o economista Leonardo França Costa, da Rosenberg & Associados, o fato de o café, milho e soja terem apresentado taxas elevadas no IGP-M de março é preocupante, pois acredita que logo serão repassadas ao consumidor. "É efeito do clima adverso aqui no Brasil, mas também reflete as cotações no mercado internacional, que estão sendo influenciadas por problemas climáticos nos EUA e na Austrália", explicou ele, que previa alta de 5,95% no IPA Agropecuário e 1,49% para o IGP-M.
"A boa notícia é que esta alta deve ter sido o pico. Esperamos que o IPA Agro no IGP-DI fique ao redor de 5%", estimou Souza Leal, do Banco ABC Brasil.

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