Inflação ameaça alta de serviços em abril
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terça-feira, 17 de junho de 2014
Fábio Galiotto<br>Reportagem Local 
O setor de serviços teve crescimento nominal de 6,2% em abril, na comparação com o mesmo mês de 2013, segundo a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Apesar da alta, a elevação foi a menor desde os 6,1% de março de 2013 e indica baixa atividade no setor no mês, diante de um indicador que não considera a inflação para o período, dizem analistas.
A taxa foi inferior ainda às de março deste ano (6,8%) e de fevereiro (10,1%). O acumulado em 2014 está em 8%, também o menor desde os 7,6% de março de 2013. Para os últimos 12 meses, o índice é de 8,3%. Por atividade, os serviços prestados às famílias tiveram alta de 10,4%, os de informação e comunicação, de 3,7%, os profissionais, administrativos e complementares, de 5,2%, os de transportes, serviços auxiliares dos transportes e correio, de 8,0%, e outros serviços, de 9,8%.
O professor de economia José Moraes Neto, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), afirma que os números são reflexo da inflação do setor. "Não acredito que houve aumento da produção, mas, sim, aumento de preços em grande parte desses serviços", diz. Ele considera provável que o setor se acomode nos meses seguintes.
Para o economista Francisco Castro, do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), é preciso lembrar que os serviços costumam ter alta de preços acima da média. De acordo com o IBGE, o setor acumulava 8,99% de inflação em 12 meses fechados em abril, enquanto o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) estava em 6,28%.
Parte da responsabilidade é atribuída por Castro à queda de outros setores no País. "São as indústrias que demandam por mais serviços e é um setor que não demonstra qualquer sinal de recuperação neste ano", comenta. Mesmo assim, ele vê a PMS como um dos indicadores que se salvam, ao lado da geração de emprego, diante de uma conjuntura econômica de estabilidade.
Risco de queda
Moraes Neto afirma que os serviços prestados às famílias estão entre os principais responsáveis pela inflação devido ao aumento de renda e, consequentemente, de demanda por parte da população. No entanto, ele cita que a alta de preços pode reduzir o consumo nos próximos meses. "A alimentação fora do lar subiu muito de preço e, nas grandes cidades, quase todo mundo que trabalha come fora. O que pode ocorrer é a substituição por serviços mais baratos", diz. A atividade de alojamento e alimentação teve alta de 10,8% em abril.
Outra que está em alta e pode desacelerar nos próximos meses é o transporte aéreo. Com 18,3%, o serviço teve o maior aumento individual em abril sobre o mesmo mês de 2013. A Associação Brasileira de Empresas Aéreas (Abear), porém, divulgou anteriormente que muitas empresas anteciparam as convenções empresariais de maio, junho e julho para os quatro primeiros meses do ano, para não competir com a Copa do Mundo. Assim, a tendência é de redução na demanda no segmento no segundo trimestre, mesmo com o evento. "Também houve elevação no número de assentos no período da Copa e isso fez com que os preços baixassem, o que pode diminuir o índice."



