Se a queda da inflação continuar em 'câmera lenta', o reajuste salarial dos trabalhadores acontecerá, obrigatoriamente, antes de 12 meses. Segundo Cid Cordeiro, economista e técnico do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), algumas categorias já estão negociando novas perdas salariais em seis ou até quatro meses após o dissídio. ''Desde 98, a mistura de inflação elevada, desemprego e retração econômica provocou a perda de 35% nos salários, de um modo geral'', completou.
Hoje, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), usado como parâmetro nas negociações salariais, está em 20% e a intenção do governo é que o acumulado do ano não passe dos 12%. Para Cordeiro, o Banco Central está equivocado ao culpar os reajustes salariais pela demora na queda da inflação. Segundo ele, o índice continua alto por causa da alta dos alimentos; indexação de alguns preços controlados como, por exemplo, energia elétrica, água, telefone e combustíveis e a ação de oligopólios e monopólios que, invariavelmente, sofrem a influência do mercado externo.
Dentro dessa realidade os funcionários públicos são os mais prejudicados. Em comparação aos trabalhadores do setor privado, eles têm menos força de negociação e conseguem índices menores de reajuste. Um exemplo são os funcionários do Hospital Universitário de Londrina que tiveram seu último reajuste em agosto de 95. Na época, eles receberam 10% de aumento. Depois disso, tiveram apenas readequações salariais de acordo com o Plano de Carreira, Cargos e Salários (PCCS). Enquanto isso, o Sindicato dos Condutores de Veículos Rodoviários de Londrina e Região conseguiu repor os 14,74% do INPC acumulado em um ano para quem teve dissídio em janeiro.
De acordo com Fernando Roque, subdelegado regional do Trabalho, os servidores públicos preferem arcar com o prejuízo a perder a estabilidade e enfrentar o desemprego num mercado cada dia mais exigente e menor. ''O funcionário público despedido sai com uma mão na frente e outra atrás porque não desfruta dos benefícios da CLT'', explicou.

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