Inflação ainda não compromete meta do governo
São Paulo- Economistas consideram que a pressão dos alimentos é um ruído no cenário da inflação para 2007. Mas, ao menos por enquanto, ela não compromete a meta de 4,5% traçada para 2007 e não exige mudanças na política monetária de redução de juros básicos da economia.
''A alta de preços dos produtos agrícolas é localizada e o Banco Central não precisa penalizar a economia como um todo'', afirma o diretor da RC Consultores, Fábio Silveira.
Essa avaliação é compartilhada pelo coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros. ''A queda nos preços dos bens duráveis e nos artigos de vestuário devem atenuar a pressão dos alimentos'', prevê o economista. Ele destaca que o grande volume de itens importados que está entrando hoje na economia brasileira contribui para conter possíveis aumentos de preços.
Silveira lembra que o governo tem outras cartas na manga para compensar a alta dos alimentos nos índices de inflação sem interromper a trajetória de queda dos juros ou diminuir o ritmo dos cortes. Com o recuo da cotação do petróleo, uma das alternativas é reduzir o preço da gasolina no mercado doméstico que hoje está acima da cotação externa. Outra saída é ampliar ainda mais a mistura do álcool na gasolina, como já vem sendo feita pelo governo. ''Hoje está sobrando álcool combustível'', lembra Quadros.
Já o economista-chefe da Concórdia Corretora de Valores, Elson Teles, considera que a alta dos preços dos produtos agrícolas no atacado pode fazer com que o Banco Central reduza o ritmo de corte da taxa básica de juros, a Selic, na última reunião deste ano. ''Para justificar um novo corte de 0,50 ponto porcentual na Selic, o cenário de melhora da inflação teria de estar mantido. Isso agora não tem mais'', diz Teles.





