Inflação ainda está alta, diz Loyola
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quinta-feira, 03 de abril de 2003
Rodney Vergili<br>Agência Estado 
São Paulo - Gustavo Loyola, ex-presidente do Banco Central e sócio da Tendências Consultoria, diz que é cedo para se falar em queda nas taxas de juros, pois a inflação ainda está ''muito alta''. ''Não há por que se falar em alívio nas taxas de juros pelo menos para os próximos dois a três meses.''
O Banco Central (BC) precisa ver mais consistência na trajetória de queda da taxa inflacionária. ''Não significa que a meta inflacionária de 8,5% precisa ser necessariamente atingida este ano, dados os resultados ruins do primeiro trimestre'', observa. Mas o BC ''precisa ter controle forte'' da inflação, pois caso contrário os reajustes seguem à reboque.
''Fiquei impressionado com a facilidade com que os empresários cederam no reajuste de 10% para os metalúrgicos.Isso pode ser uma antecipação de repasse para os preços industriais'', argumenta Loyola. ''A política monetária precisa ser dura, para que não ocorram esses repasses'', afirmou.
Segundo Loyola, é preciso manter a taxa nominal, pois com a queda da inflação haveria um aumento na taxa de juro real. Ele observa ainda ser ''bobagem'' controlar os agregados monetários para segurar a evolução da inflação, argumentando que a demanda por moeda é instável e sem relação com o PIB nominal. Loyola não acredita que o BC comece a usar o sistema de controle monetário para complementar o sistema de metas inflacionárias.
O aumento no depósito compulsório sobre depósitos à vista neste início de ano, disse, foi para evitar ''arbitragem'' (especulação) cambial e melhorar as condições de financiamento da dívida pública (o BC retira recursos de circulação para não precisar elevar ainda mais os juros). Para Loyola, ''não há espaço para ampliar ainda mais o uso do depósito compulsório''.


