Inflação acumula 10,4% em um ano
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quinta-feira, 10 de dezembro de 2015
Fábio Galiotto<br> Reportagem Local 
A inflação de novembro chegou a 1,01% e elevou a taxa em 12 meses para 10,48% no País, o maior resultado para o mês desde 2003 (11,02%). Alimentação e transportes corresponderam a dois terços do índice, ou 0,66 ponto percentual, conforme o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A alta dos preços também acelerou em relação a outubro, quando foi de 0,82%, e a novembro do ano passado, quando foi de 0,51%. Entre janeiro e novembro, o IPCA está em 9,62%. Quando considerado por região, os paranaenses ainda enfrentam os maiores resultados no acumulado, com 11,31% desde janeiro e 12,24% em 12 meses. Em novembro, a taxa em Curitiba foi de 1,08%.
Por grupos, os principais aumentos foram em Alimentação e Bebidas (1,83%), Transportes (1,08%) e Comunicação (1,03%). No entanto, quando considerados itens individuais, os combustíveis foram os maiores responsáveis pelo indicador do mês, com alta de 4,16% em novembro e impacto de 0,21 ponto percentual no índice. As refeições para consumo em casa tiveram alta de 2,46%.
Entre os produtos com forte alta de outubro para novembro estão a batata-inglesa (27,46%), o tomate (24,65%), o açúcar cristal (15,11%), o refinado (13,15%) e a cebola (10,39%). Por outro lado, poucos ficaram mais baratos, com destaque para as carnes industrializadas (-0,79%) e o leite (-0,76%). A valorização cambial, que eleva preços de adubos e favorece mais a exportação do que a venda interna, são apontadas como os principais problemas de custos, além das chuvas que dificultaram as colheitas. "A produção de arroz é muito justa, porque o brasileiro come muito arroz. Mas, mesmo assim, o País tem exportado arroz. A exportação de carne também está bastante atraente. Então, o câmbio traz uma avalanche de aumentos", diz a coordenadora de Índices de Preços do IBGE, Eulina Nunes dos Santos.
O frete também tem pressionado os preços. "O diesel fez o frete aumentar bastante. Caminhoneiros vêm reclamando muito também do aumento do pedágio", completa Eulina. Ela considera ainda que contratos indexados à inflação devem interferir em outros preços. "A gente tem vários itens que são reajustados por contrato, como plano de saúde. Então isso vai provocar aumento forte em alguns itens no ano seguinte", diz.
Para o professor de economia Adilson Volpi, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), também há o efeito psicológico dos dois dígitos de inflação. "Lutava-se tanto para ficar abaixo de 5% e agora está em 10%, o que indica que não se trata apenas de um problema conjuntural", conta. "Esse índice decorre de incertezas que temos em relação ao futuro, mas também do que foi feito anteriormente, como represar reajustes de energia elétrica e combustíveis."
Custos que os empresários não conseguiram absorver neste ano e que não conseguirão em 2016, considera o delegado em Londrina do Conselho Regional de Economia (Corecon), Laércio Rodrigues de Oliveira. "A inflação não deve diminuir nos primeiros meses do ano, porque a oferta de produtos não tem aumentado em relação à demanda como deveria, por falta de investimentos dos empresários", cita.
A mudança, porém, depende de credibilidade. "É preciso que os empresários acreditem que a questão macroeconômica vai ser ajustada de alguma forma, principalmente a parte fiscal, para que voltem a investir", considera Volpi. (Com Agência Estado)


