Inflação acelera e alimentação ainda pesa no bolso
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quarta-feira, 22 de agosto de 2012
Andréa Bertoldi <br> <br> Reportagem Local 
Curitiba - A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-15) acelerou em agosto, ao variar 0,39% na média nacional contra 0,33% em julho. O IPCA-15 é a prévia da inflação oficial, o IPCA, divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A pesquisa envolve 11 capitais e inclui Curitiba.
Em Curitiba, a inflação em agosto foi de 0,23% contra 0,51% em julho. Apesar da queda, o economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Cid Cordeiro, explicou que não é possível olhar para o indicador mensal como um balizador, mas sim o resultado do ano, no qual Curitiba acumula uma alta de 2,89% contra 3,32% do Brasil. O grande destaque do mês foram os aumentos em alimentação.
Em alimentos e bebidas, os itens que mais subiram foram tomate (48%), cenoura (17%), feijão (7,72%), filé-mignon (7,73%), cerveja (4,70%) e pão (4,69%). Segundo Cordeiro, os hortifrutigranjeiros subiram muito em função de questões climáticas. A carne teve aumentos provocados pela entressafra e pelos reajustes da soja e do milho, que refletem no preço da ração. Já o aumento do pão está ligado à oscilação dos preços internacionais.
O diretor do centro estadual de estatística do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), Daniel Nojima, lembrou que a alimentação já vinha pressionando a inflação em meses anteriores. Para ele, este aumento também está ligado à alimentação fora do domicílio que, em Curitiba, subiu 1,73%. Segundo Nojima, a alimentação fora de casa também responde por boa parcela da inflação.
Na pesquisa do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) do Ipardes, na segunda quadrissemana de agosto o tomate também aparece como vilão, com alta de 53,2%. Ele acredita que em setembro a inflação seja um pouco menor.
Além da alimentação, também tiveram aumentos em Curitiba, habitação (0,13%), artigos de residência (0,82%), saúde e cuidados pessoais (0,32%), despesas pessoais (0,16%) e educação (0,55%). As quedas ocorreram em vestuário (-0,75%), transportes (-0,24%) e comunicação (-0,11%).
Cordeiro explicou que a alimentação é o que tem mais impacto no índice de inflação porque representa 22% do orçamento familiar. Ele acredita que, no próximo mês, os hortifrutigranjeiros devem ter redução de preços com o final do inverno. Por outro lado, o preço da carne deve aumentar porque outubro é o pico da entressafra no setor.
Ele prevê que a inflação fique na média de 0,30% em setembro e que atinja cerca de 5% ao final do ano, percentual muito próximo do centro da meta da inflação estabelecida pelo governo federal em 4,5%. Daniel Nojima, do Ipardes, também acredita em uma inflação próxima de 5% para o fechamento do ano.
No acumulado dos últimos 12 meses, o IPCA-15 registra 5,37% de alta no País, superior ao registrado no mesmo período anterior (5,24%). Em agosto de 2011, a taxa havia ficado em 0,27%.



