A falta de experiência comprovada e baixo grau de instrução são os principais empecilhos para quem procura uma vaga no mercado de trabalho em Londrina. Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, do Ministério do Trabalho, mostram um saldo positivo entre as admissões e demissões efetuadas no município nos meses de fevereiro e março. No entanto, cerca de 400 pessoas continuam frequentando, diariamente, a Agência do Trabalhador local, em busca de um emprego.
Para quem procura trabalho a rotina é árdua. ‘‘Faz três meses que saio de manhã e volto à tarde para casa, sem conseguir nada’’, relata Adriana Camargo, 25 anos. Com apenas o ensino fundamental completo e sem cursos complementares, ela vê um mercado cada vez mais restrito. ‘‘Hoje, até para catar lixo na rua tem que ter segundo grau. Está ficando cada vez mais difícil arrumar emprego’’, reclama.
Também não é fácil, segundo Adriana, arrumar vagas em cursos gratuitos para formação de mão-de-obra ou para conclusão do ensino médio. ‘‘Gostaria de fazer um supletivo, mas onde tem o curso de graça já tem uma fila de espera por vaga’’, diz.
Maria Eunice Bernardo, 20 anos, deu entrada ontem nos papéis para receber o seguro desemprego e aproveitou para já deixar seu cadastro na Agência do Trabalhador. ‘‘Não está fácil arrumar emprego. Faltam oportunidades e, muitas vezes, para entrar numa empresa tem que conhecer alguém lá dentro’’, afirma.
O gerente da Agência do Trabalhador, Júlio Cesar Zanone, confirma que as exigências do mercado são grandes. Mas de acordo com os dados disponíveis na agência, o mercado está empregando mais do que demitindo desde o ano passado. ‘‘Os setores de serviços, comércio e indústria foram os grandes dinamizadores de emprego em 2001. Este ano, até agora os setores que estão admitindo mais que demitindo são os de serviço, indústria e construção civil’’, informa.
Embora os dados do Ministério do Trabalho (ver quadro nesta página) sejam positivos, agências de emprego instaladas em Londrina registraram uma queda significativa na oferta de vagas. Segundo a psicóloga Ruth Hayashi, da agência Labor, nos meses de abril e maio a queda a redução das vagas ofertadas chegou ao índice de 35%. ‘‘Agora estamos começando a sentir um aquecimento’’, relata.
José Carlos da Silva Damasceno, da Capital Humano, também diz que as vagas ofertadas foram reduzidas em sua empresa, na ordem de 15% a 20%. ‘‘Talvez a diferença entre nossos dados e os do Ministério do Trabalho ocorra porque quando recebemos o pedido da empresa é porque se tratam de vagas que não conseguem repor facilmente’’, supõe.

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