Inércia desacelera queda da inflação, dizem economistas
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 28 de fevereiro de 2003
Agência Estado 
Rio A inflação está caindo mais lentamente do que era previsto porque está sofrendo um efeito de inércia, que tende a se prolongar nos próximos meses, segundo avaliam economistas. ''A queda na inflação deverá ser lenta porque a inflação passada alimenta a atual, que vai alimentar os futuros aumentos de preço. É uma bola de neve'', disse o analista Luis Afonso Lima, do BBV Banco.
O economista André Braz, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), avalia que há inércia na inflação neste início de ano, mas os riscos de disparada dos preços são bem menores do que no final do ano passado. Ele acredita que os preços têm caído menos do que o esperado porque está havendo uma recomposição de margens após a ''inflação de custos'' de 2002. ''Com a demanda deprimida, o repasse é mais lento mas inevitável'', disse.
Exemplo desse repasse lento é o caso dos biscoitos, que têm como matéria-prima a farinha de trigo, um dos produtos que mais sofreram os efeitos da alta do dólar no ano passado, com aumento acumulado de 62,9%. O aumento da matéria-prima foi o principal responsável por um reajuste de 13,81% dos biscoitos em 2002, mas os repasses continuam e no acumulado deste ano do Índice de Preços ao Consumidor Médio (IPC-M, calculado pela FGV) somaram 7,21%. ''Nesse caso a concorrência é muito forte, há várias opções no mercado, então o repasse está sendo lento, mas contínuo'', explica Braz.
Para o economista do BBV, essa lentidão na queda dos preços dificultará o cumprimento da meta de IPCA anual de 8,5% definida pelo Banco Central. ''A meta é ambiciosa'', avalia. Segundo Lima, o BC ''tem feito o possível'' para conter a inflação via política monetária, mas seus efeitos são reduzidos diante de uma situação de inércia conjugada à queda no nível de atividade.
''É preciso de qualquer maneira uma política monetária apertada, não é possível relaxar, mas temos que torcer para que um cenário externo favorável permita uma apreciação cambial'', diz Lima.


