Inepar vai fechar fábrica em Curitiba
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quinta-feira, 03 de abril de 2003
Equipe da Folha 
Curitiba - O Paraná vai perder uma empresa de peso. A fábrica do grupo Inepar na Cidade Industrial de Curitiba (CIC), que emprega cerca de 400 pessoas diretamente, vai ser fechada no final de junho, assim como a filial de Jacareí, em São Paulo. Toda a produção de insumos elétricos vai migrar para a unidade de Araraquara, também em São Paulo. A mudança faz parte do processo de reestruturação da Inepar, iniciado em 1999.
Empresa paranaense fundada em 1968, a Inepar atua na geração, transmissão e distribuição de energia, petróleo e gás, equipamentos pesados, transporte metroferroviário e serviços. A empresa não confirma ainda o fechamento da unidade em Curitiba. Conforme a reportagem apurou, a medida é necessária para enxugar custos e estava prevista desde o início do ano. Parte dos funcionários da Inepar será transferida para Araraquara. Cerca de 40 funcionários, a maioria diretores, vão assumir a linha de painéis elétricos de controle, como forma de indenização.
Atilano de Oms Sobrinho, presidente da holding Inepar, não quis falar com a reportagem. Declarações sobre o assunto serão concedidas apenas com aval do conselho, que tem reunião marcada para o próximo dia 9, informou a secretária de Oms. A holding Inepar Indústria e Construções tem cerca de R$ 500 milhões em dívidas.
A empresa está se reestruturando há quatro anos. Os problemas começaram quando a direção da Inepar assumiu compromissos que não foram cumpridos. As dívidas se acumularam e foram feitas várias negociações para novos prazos de pagamento. Os fundos de pensão Petrus, Centrus, Aerus e Previ, que possuem 40% do capital votante da empresa, aceitaram, no início deste ano, injetar R$ 90 milhões na Inepar.
Mas o acordo de acionistas ainda está emperrado, o que inviabilizou essa aplicação. A reportagem apurou que Oms aguardava ajuda externa para se manter no controle da empresa. Com os novos investimentos, os fundos devem indicar um novo presidente para a holding Inepar.
As ações da Inepar estão bastante desvalorizadas: R$ 0,44 a R$ 0,46 o lote de mil ações. Em março, quando o mercado esperava que o Banco de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) injetasse dinheiro na empresa, o papel chegou a valer R$ 0,64. Valores bem inferiores aos registrados em 1997 e 1998, época de maior rentabilidade das ações: de R$ 29,00 a R$ 40,00.
''Quando ocorrer a troca de comando, a situação da Inepar vai passar da água para o vinho. Agora não há confiança no comandante'', avaliou o analista Mohamad Talah Júnior. Segundo ele, a empresa poderá se reerguer porque tem capacidade produtiva, mão-de-obra qualificada e mercado consumidor.


