Curitiba - A Inepar, uma das maiores empresas de telecomunicações e energia do País, com sede em Curitiba, está emitindo, a partir de hoje, debêntures conversíveis em ações no valor total de R$ 270 milhões, para serem resgatadas em fevereiro de 2006. O comunicado, feito pela segunda vez ontem à tarde para o mercado financeiro, informa que a emissão será feita em duas séries de R$ 135 milhões cada uma.
A Inepar pretende utilizar parte dos recursos arrecadados com as debêntures para negociar débitos com credores privados, já que a empresa reconhece, perante o mercado financeiro, que está inadimplente.
A diferença dessa emissão, é que as debêntures (papéis que pagam juros e dividendos) são conversíveis em ações, ao contrário das emissões passadas em que os papéis não são conversíveis. Ou seja, a Inepar está dando suas ações como garantia da operação, o que pode ser um bom negócio, acreditam alguns analistas.
Ontem o mercado foi mais uma vez surpreendido com o anúncio de convocação geral para reunião de credores para o dia 4 de fevereiro de 2002. A convocação foi assinada por Omar Camargo Corretora de Câmbio e Valores, responsável pela emissão de debêntures. Dessa vez, trata-se de debenturistas da terceira emissão realizada em novembro de 1996, no valor total de R$ 25 milhões. Ocorre que 80% dessa dívida já foi quitada e os 20% restantes foram parcelados em quatro vezes, no período dezembro a março. Ocorre que a primeira parcela venceu no dia 28 de dezembro e não foi quitada.
A Inepar ainda tem prazo até o dia 2 de fevereiro para explicar a falta de pagamento na data prevista. Até lá, não é considerada inadimplente pelo mercado. Os credores estão se antecipando para decidir se podem receber créditos recebíveis por parte da empresa. Na semana passada, uma corretora do Rio de Janeiro convocou assembléia de credores para o dia 1º de fevereiro para decidir se entram na Justiça contra a inadimplência da empresa. A Inepar não resgatou papéis no valor de R$ 2,5 milhões.
A Inepar Telecomunicações também publicou edital de convocação de assembléia geral extraordinária para os acionistas homologarem aumento de capital social no valor de R$ 28 milhões. Conforme o departamento jurídico da Inepar esse aumento de capital já foi realizado e a assembléia de acionistas só irá fazer a homologação da operação.
O mercado financeiro continua aguardando para breve um desfecho da crise instalada na Inepar. Após a divulgação de que a empresa vai promover demissões inclusive de primeiro escalão, o papel da empresa caiu 3,29% ontem, fechando a R$ 1,47. Na sexta-feira a ação estava cotada a R$ 1,55.

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