Carmem Murara
Enviada ao Rio
A diretoria do Grupo Inepar anunciou ontem a formação de uma nova estrutura organizacional para a empresa, que passa a ser constituída por três setores básicos que são os de indústria e construção, telecomunicações e energia. A primeira etapa colocada em prática é a criação da nova Inepar S.A. Indústria e Construções que aglutinará todas as demais empresas que atuam neste segmento. O processo de reorganização estará concluído ate o final do próximo ano, quando haverá uma redivisão societária dentro da empresa. As mudanças na Inepar foram projetadas para dar mais clareza à empresa para o mercado financeiro e para garantir melhores resultados operacionais.
O presidente da Inepar Atilano de Oms disse que os negócios do grupo estavam sendo prejudicados no mercado por causa dos vários setores de atuação. ‘‘Um investidor muitas vezes estava perdido dentro da estrutura da Inepar. Ele não sabia ao certo se estava investindo em energia, telecomunicações, quando comprava ações da empresa’’, disse Oms, em entrevista coletiva feita na sede da empresa, no Rio de Janeiro, para anunciar as modificações. Como consequência direta desta confusão organizacional, as ações da Inepar tiveram um dos piores desempenhos na Bolsa de Valores neste ano, conforme admitiu Oms.
A proposta é deixar a empresa mais transparente para o investidor. Quando terminar o processo, a Inepar estará dividida apenas nas unidades Inepar Indústria e Construção, Inepar Energia e Inepar Telecom, desaparecendo as demais 30 empresas do grupo. Com as mudanças, a empresa tem interesse em se lançar no mercado internacional para comercialização dos papéis da Inepar Industrial e Construção, o que deve ocorrer até o final do próximo ano.
Dentro da proposta de reestruturação, Atilano de Oms deixa a presidência da Inepar S.A. Indústria e Construção para ocupar a presidência do Conselho de Desenvolvimento Estratégico e Conselho de Administração. O conselho é o órgão máximo dentro do grupo e será responsável por definir o planejamento da empresa, mas sem interferir de maneira direta na estrutura operacional, que ficará a cargo dos demais diretores e do presidente da Inepar Industria e Construção. Além de Oms, integram o conselho os atuais vice-presidentes do grupo Inepar, entre eles Mário Celso Petraglia e Jauneval de Oms.
No lugar de Atilano de Oms assume a função Cesar Fiedler, que até então era o responsavel pela Siemens Metering (joint venture entre a Inepar e a Siemens para a fabricação de equipamentos e sistemas de medição de energia. A nova Inepar S.A. Indústria e Construção vai centralizar todos os negócios nas áreas de equipamentos, construções e serviços. Esta estrutura terá duas vice-presidências e cinco diretorias.
Um dos resultados que a Inepar Indústria e Construções espera obter com a mudança é a redução do endividamento de R$ 50 milhões para R$ 12 milhões ate o final do ano. Todo o grupo Inepar tem hoje uma divida acumulada de R$ 890 milhões, total obtido após a venda da participação acionaria da Telemar – operadora telefônica nas regiões Nordeste e Sudeste.
A nova empresa nasce com um faturamento projetado para este ano de R$ 502 milhões e espera chegar em 2003 com um resultado de R$ 899 milhões. Atilano de Oms confirmou ontem que as privatizações das companhias de energia Copel e Cemig (Centrais Elétricas de Minas Gerais) interessam ao grupo.Grupo anunciou ontem a criação dos setores Indústria e construção, Telecomunicações e Energia
DivulgaçãoCONFUSÃO ORGANIZACIONALAtilano de Oms: ‘‘Investidor não sabia ao certo se estava comprando ações de energia ou telecomunicação’’

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