Inepar cria a empresa Damos, de telemetria
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sexta-feira, 14 de agosto de 1998
Carmem Murara 
O grupo Inepar anunciou ontem a formação da empresa Damos, uma parceria com a Itália Telecom, para a exploração da parte brasileira do projeto mundial Orbicon de telemetria e transmissão de dados via satélite. O Orbicon é o sistema similiar ao Iridium, que permite o acesso telefônico em qualquer parte do planeta. A diferença está no fato de o Orbicon transmitir dados na tecnologia pacote, que representam o envio de mensagens e informações em única via.
A base de operação da Damos vai ser o Teleporto de Londrina, local onde vão se concentrar todos os sistemas de telefonia e transmissão de dados. O centro on line vai captar os dados de um cliente em qualquer lugar do País, decodificar a mensagem, jogar no satélite e retransmitir através de um gateway, localizado no Rio de Janeiro. Para operar o sistema, a Damos colocou em órbita 12 satélites de um total de 38 que vão estar no espaço quando o serviço estiver pronto para entrar em operação. A previsão é começar a funcionar a partir de janeiro do próximo ano.
Segundo o presidente da Inepar, Atilano de Oms (foto), o maior custo deste projeto são os satélites. O investimento para colocar a constelação em órbita - com os 38 satélites - gira em torno de US$ 600 milhões.
A Inepar participa da Damos com 60% do controle acionário e a Itália Telecom com 40%. Em relação à Orbicon na América do Sul, a Inepar tem uma participação de 30% e a Itália Telecom possui 10%. O restante das ações são divididas entre outros acionistas minoritários.
A união da Inepar e da Itália Telecom se viabilizou a partir do projeto Iridium. Os dois grupos já atuam junto no sistema de telefonia via satélite, com uma parceria para sensoriar plataformas. O presidente da Inepar afirmou que a grande vantagem do sistema da Damos será o custo do serviço para o usuário. O preço será quase 60% mais barato em relação a qualquer procedimento de medida usado hoje, afirmou Oms. O sistema é válido para quem pode esperar de 30 segundos até cinco minutos para receber a informação desejada. No sistema Iridium, a informação é simultânea.
O presidente do grupo Inepar, confirmou ontem que a empresa tem interesse em participar como acionista minoritária da concorrência das empresas espelho da telefonia fixa, como são chamadas as companhias que vão concorrer com as Teles privatizadas. O projeto é disputar as licitações para a concessão nos Estados das regiões Central e Sul do País. Há ainda a intenção de ficar com a empresa concorrente da Embratel, considerada estratégia para a telefonia fixa.
Como já participa da exploração da Tele Norte-Leste, ou Telemar, a Inepar está proibida de ter a participação majoritária numa empresa espelho. Oms garantiu que, por enquanto, não há definição dos nomes dos grupos empresariais que poderiam se unir à Inepar para investir nas concorrentes da telefonia fixa.
Além de investir na telefonia, a Inepar concentra sua atenção na privatização das companhias de energia elétrica. O grupo já comprou a Centrais Elétricas do Mato Grosso (Cemat). O objetivo da empresa é comprar concessões novas, o que descarta a possibilidade de a Inepar vir a participar do leilão de privatização da Gerasul - empresa geradora de energia formada a partir da cisão da Eletrosul.


